Os muitos livros brincantes de Ilan Brenman


– Patricia Camargo –

É infindável a lista de livos do autor Ilan Brenman que podemos classificar como livros brincantes. “De onde vêm os nomes“, “Caras Animalescas“, “Telefone sem Fio”  são alguns deles. Mas a criatividade pode voar longe também com outros títulos também famosos (e premiados): “Até as princesas soltam pum”, “O que cabe num livro”, “Papai é Meu”, “Mamãe é um lobo” e as séries com os personagens “Clara” e “Gabriel”. Além de autor, um pesquisador da educação infantil, Ilan já escreveu sobre temas tão ricos como histórias judaicas e budistas, contos africanos, indianos e a morte. E sempre dá seu tom de alguém que defende uma literatura infantil e juvenil livre da ideologia do “politicamente correto” e com muito respeito a inteligência e a sensibilidade da criança. Seus textos já foram traduzidos e publicados na Dinamarca, Espanha, Suécia, Itália, França e Coreia. Além de palestras, “o autor” (como meu filho o chama desde que o conheceu na escola) é colunista da revista Crescer (ed. Globo).

“O livro é perfeito, não tem porque mudá-lo”

Ilan falou conosco sobre escrever para crianças ele diz que a fórmula é não pensar na fórmula. Escrecer para criança é respeitar a inteligência dela. Muitas pessoas pensam em crianças e pensam em coisas simples, sem importância “por ser pequenina”. O respeito pela complexidade da infância é uma clareza importante para o escritor infantil. “Eu não estou lá para ensinar a criança, a literatura ficcional é levar a fantasia e a imaginação para a criança”, afirma. E continua: “O escritor de livros infantis não pode querer ser o professor da criança, mas desejar compartilhar uma aventura, um olhar do mundo”.

 

Com 18 anos, Ilan trabalhava com um projeto educacional e num intervalo num dia 3 crianças pediram que ele contasse uma história. Como ele não sabia nenhuma decor, uma delas sugeriu que ele inventasse. “Neste momento virei escritor”, afirma. A platéia infantil aumentou e ele continuou inventando histórias que foram para um caderno, de lá para o computador e, no devido tempo, para os livros. Durante a nossa conversa, Ilan contou que no início lia muita literatura infantil. Também lê ainda filósofos. “A criança tem um pensamento filosófico por natureza”, conta. Ouça como ele descreve de onde vem sua inspiração:

 

O politicamente correto nega à criança a possibilidade de escutar e ler histórias que mostrem como é a vida. De forma poética, engraçada, mas séria. Na opinião de Ilan, o mundo politicamente correto é muito chato e a literatura tem que estar livre destas amarras. Esta parte da entrevista é bem interessante. Escuta só:

 

A história é circular

O escritor afirma que é possível ser criança no mundo de hoje, como sempre foi. Na opinião dele, a história tem um movimento circular, ou seja, o mundo avança e tem alguns retrocessos. E a infância está neste processo. Ela sofre ataques, mas não é a primeira vez. Hoje estamos adultizando a infância, por exemplo. Mas a criança é resiliente e ela resiste, ao menos por enquanto, a estas pressões. “Eu sou muito esperançoso com a resistência das crianças. Quando achamos que elas estão perdidas, elas levantam a mão e dizem – estou aqui!”.

 

Livros do Ilan Brenman

Os livros brincantes

Ilan já teve muitos retornos de pais e escolas que adotam seus livros de forma brincante. Ele deve lançar mais um neste ano, mas ainda é surpresa. Aliás, podemos esperar muitas produções do escritor em 2015. Tanto de recontos (versões de histórias infantis de determinadas culturas, como árabes ou gregas) e textos próprios.

 

Não poderíamos encerrar o papo super legal com o Ilan sem falar de brincadeiras.

 

Brincar não é só a coisa fofa do Facebook. O brincar é sério, importante e uma preparação para a vida.

 

O brincar prepara a criança para a vida, a linguagem, a autonomia. E deveria haver espaço para brincadeiras espontâneas. Hoje elas são muito dirigidas, o que é preocupante. É um pouco da anti-brincadeira. Claro que é possível propor jogos. “Eu mesmo inventei um jogo com bola com minhas filhas e seus amigos. Mas é ótimo quando estou com elas e vamos criando as brincadeiras na hora”, afirma. Este tipo de atividade desenvolve a criatividade, o improviso e a resolução de situações.

E a relação da criança com o livro tem que ser brincante

 

 

Brincar vem do latim e significa vinculum (vinculo com a vida)

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