Pai de menina das mil alegrias: entrevista com Carlos Castelo


No próximo domingo será Dia dos Pais. Então neste e no próximo domingo abriremos espaço nas nossas entrevistas para o depoimento super legal de dois pais, dois Carlos, dois pais de meninas e suas descobertas neste “desconhecido” mundo das mulheres!

Mas não pense que os papais só tem espaço no Tempojunto em agosto. Ao contrário, volta e meia eles estão por aqui. Já conversamos com o Papai Apegado, com o Pai do Dudu, o Pai escritor de piadas, o Pai escritor de livros brincantes, e o Pai da Maya, a menina que colecionava. Tem também vários posts com o Papai da Carol e da Gabi. E na coluna da Patcamargo desta quarta, quem vai escrever é o Papai do Pocoyo, da Cururuca e da Potchochenca, pai de 3.

O primeiro Carlos é o Castelo.

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Publicitário, um dos idealizadores do grupo Língua de Trapo e, como ele mesmo se descreve, quase três décadas de redação publicitária. Quatro filhos. Dez livros. Dezenas de árvores plantadas e pai de uma gatinha chamada Luísa, com 2 anos e meio. Resolvi começar a entrevista perguntando a ele como era a filha. Sabe que houve uma hesitação? Difícil descrever os filhos de bate-pronto, né? Mas ele conseguiu: “Ela é agitada e tem personalidade forte. Apesar de ter 2 anos sabe o que quer e às vezes não tem muito acordo com relação aos gostos e preferências dela”.

Trabalhando em agência de propaganda, a rotina do Carlos é puxada. Então ele, como muitos de nós, temos pouco tempo com os filhos. Por isso são muito bem aproveitados. Na época da entrevista, ele conseguia almoçar com ela e, caso ela não estivesse dormindo, a convivência também acontecia à noite. “São momentos fragmentados, mas intensos”, conta.

Na opinião de Carlos Castelo, a brincadeira, o lúdico é fundamental porque é onde se dá a melhor forma de comunicação. Mas não só para a relação entre adultos e crianças. A relação entre adultos seria melhor também com mais brincadeiras: “Se nós brincássemos mais em lugar de nos ferirmos, o mundo poderia ter outro ponto de vista. Leva-se tudo a ferro e fogo no dia a dia”.

Brincar com menina…

Não. Não tem diferença. Sim, as mães podem ficar tranquilas que pais sabem brincar com meninas. Afinal, brincar não tem gênero. “Inicialmente quando ela era um bebezinho, fazíamos a clássica ‘Cute-achou’. Foi quando eu vi sua primeira gargalhada”, conta. “Como sempre trabalhei com música, recentemente ela ganhou um tambor e começamos a brincar de dançar. Agora esta á nossa principal brincadeira, com mais instrumentos acompanhando o ‘show da banda'”.

Carlos não se acha exceção na brincaderia com a filha. Escute a opinião do publicitário sobre a participação dos pais atualmente na dinâmica familiar.

E ele também dá uma dica para os papais que acham que não sabem brincar ou não tem tempo:

Simplesmente sendo natural

A conexão entre pai-filho, adulto-criança é natural e na opinião de Castelo basta deixar acontecer, dar oportunidade para a brincadeira fazer parte da vida. Simples, não?

Para terminar esta entrevista, segue um post que o Carlos escreveu sobre sua relação com a Luísa. Olha que demais.

 

DOIS ANOS, MIL ALEGRIAS.

por: Carlos Castelo

Há exatos dois anos acordo todas as madrugadas ouvindo um chorinho no quarto ao lado. E penso: “tem uma menininha aqui em casa e eu não estou sonhando”.

Luísa não é meu primeiro rebento. São três varonis rapagões antes dela, o que não me faz um neófito no assunto paternidade. Mas uma menina…

Quando ela nasceu fui o fotógrafo oficial do parto. A Simoni ficou sendo cuidada pelos médicos e uma enfermeira levou a Luísa para uma sala lateral onde estavam os berços aquecidos.

Eram 4h45 da manhã e não havia mais nenhum outro bebê por lá. Foi a minha chance de ficar totalmente a sós com o presente que acabara de ganhar.

Foram longos dez minutos em que senti cada arfar, cada espreguiçar e bocejar da cria. Mal consegui fazer o registro fotográfico do momento, os cliques ficaram todos desfocados e tremidos.

Mas ali já se estabelecia algo novo. A nenê parecia ter uma atenção especial comigo. E eu me perguntava, obviamente triscado pela emoção: como aquele pequeno ser, que terminara de aterrissar no mundo, podia estar olhando daquele jeito tão amoroso pra mim?

O vínculo só se aprofundou desde então. Hoje é ela quem me liga no trabalho pedindo sorvete, quem dança feito bailarina quando eu toco o seu tambor, que me chama de papaizinho e diz – com aquela sinceridade acachapante das crianças – que me ama.

É a Luísa que me faz lembrar, todos os dias, que tudo é possível numa jornada. Até existir só pra me lembrar que ela existe.

 

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