Por que você não consegue brincar com seus filhos? 5 dicas para resolver isso já


Quando eu e a Patricia Marinho falamos sobre a brincadeira no nosso cotidiano, talvez a impressão que podemos passar é que sempre estamos com vontade e humor para brincar com as crianças. Mas nem sempre é assim. E a gente sabe que acontece com você também, não é? Quem sabe este texto possa te ajudar, afinal, somos todos mães e pais, certo? Eu escrevi este texto que foi originalmente publicado no blog Saúde Infantil do Hospital Sabará.

Por que você não consegue brincar com seus filhos? Sem rodeios, incluir a brincadeira na rotina do seu dia a dia talvez seja como incluir o exercício físico, a alimentação mais saudável ou a leitura diária de um livro. Se não começarmos passo a passo nada acontece.

E da mesma forma que os outros exemplos de hábitos que deveríamos incorporar, há diversos motivos que nos fazem adiar a brincadeira com os filhos para o dia seguinte. Escrevendo para o Tempojunto, identifiquei quatro fatores que são as barreiras mais comuns para adiarmos o brincar:

Falta de informação sobre a importância e os benefícios do brincar para a criança (e para nós adultos também);

Desconhecimento das brincadeiras, falta de jeito para brincar;

Falta de tempo e agenda repleta de tarefas;

Desânimo para brincar nos momentos de folga.

Você se identifica com alguma delas? O objetivo do post de hoje é dar dicas de como superar cada uma dessas barreiras.

“Mas por que brincar é tão importante?”

Que nós queremos o melhor para os nossos filhos não há dúvida. E na ânsia de oferecer o melhor possível, esquecemos do mais simples que é a brincadeira. Os especialistas que falaram ao Tempojunto são unânimes quando listam os fatores que tornam a brincadeira tão fundamental para o desenvolvimento do bebê, desde seu nascimento. A brincadeira é uma atividade que permite às crianças descobrir e experimentar o mundo. É por meio delas que são desenvolvidas as coordenações motoras, o senso de equilíbrio e espaço.

Dicas de brinquedo para crianças de 2 a 4 anos - gabi contando historia com o fantoche

Desde o sorriso do adulto para o bebê até a interação nos jogos e no faz de conta, a criança entende o que é a resposta a um estímulo. E não só isso. A criatividade, resiliência, sociabilidade, negociação e enfrentamento de frustrações são todas características desenvolvidas pela brincadeira.

Eu poderia descrever muito mais benefícios da brincadeira para as crianças. Você pode ler as entrevistas com os especialistas no blog, buscando por “importância do brincar”. Mas o que eu gostaria de acrescentar é que a brincadeira é uma chave de ouro para entendermos as crianças. E mais importante ainda: pela brincadeira criamos vínculos afetivos fundamentais para o equilíbrio tanto deles, quanto nossos.

“Não conheço brincadeiras”

Talvez porque tenhamos brincado menos do que deveríamos, ou porque já faz tempo, é possível que nos falte repertório para brincar. Mas será que se puxarmos da memória, não vamos lembrar de um jogo, um pega-pega, um faz de conta? E mesmo assim, atualmente há muito material disponível com sugestão de brincadeiras, como o Tempojunto.

15 brincadeiras para a criança agitada - corda

É uma questão de dar o primeiro passo, buscar este material e planejar a próxima brincadeira!

“Não tenho tempo para brincar”

Tem um amigo meu que diz assim: “se você quer que algo seja feito, peça para alguém que tenha a agenda cheia”. Parece incrível, mas ele está certo. Quando sabemos lidar com o tempo, mesmo em uma agenda cheia é possível reorganizar as prioridades. Com a brincadeira é assim também. A partir do momento que você entende a importância para seu filho, é possível fazê-la parte do seu dia a dia. Como?

Por que você não consegue brincar com seus filhos? 5 dicas para resolver isso ja - pat e carol no carro

Aproveitando as brechas na agenda, seja no caminho entre a casa e a escola, a espera do pediatra, a fila do mercado, aquele espaço entre o jantar e a hora de escovar os dentes (muitas vezes preenchidos pela televisão), os dez minutinhos antes de dormir, ou aquele dia preguiçoso de chuva. Ao fazer isso, a brincadeira deixa de ser uma “obrigação de final de dia” para o adulto, mas fica diluída e vários momentos do cotidiano da família.

“Não tenho ânimo para brincar”

É afirmação de um dos mais importantes especialistas em desenvolvimento humano do Brasil, o professor Dr. Lino de Macedo em entrevista ao Tempojunto: “o brincar é também uma pausa para o adulto relaxar do estresse, das ansiedades e dos problemas.” Ou seja, brincar faz bem também para nós.

Claro que o cansaço, o desânimo e até a falta de jeito para a brincadeira podem formar uma barreira entre adultos e crianças. Mas se deixarmos, esta mesma barreira nos impede de ligar para um amigo, começar um exercício, ler um livro e tantas outras coisas.

Então, desânimo se combate com ação, motivação. Quer mais motivação que seu filho genuinamente feliz? E vocês numa relação mais afetiva?

Falei aqui neste post sobre conhecer novas brincadeiras. Sabia que o livro Tempojunto tem 100 brincadeiras para qualquer situação? Trânsito, restaurante, dias de chuva e muito mais. Conheça.

8 Comentários

Deixe sua opinião
  1. 1
    Elisa Lisot

    Adorei. Esta matéria me comoveu. Muitas vezes me pego com preguiça, só quero chegar em casa e descansar. Acompanho todas as dicas desse site, e às vezes me frusto por vcs terem tanta criatividade e eu n conseguir fazer nem 10% do que propõem. Legal ver um post direcionado a esse “empecilho” e que entende nosso dia a dia como pais! um beijo carinhoso, Elisa

    • 2
      Patrícia Marinho

      Oi Elisa! Que legal ver você aqui no blog. Obrigada pela mensagem carinhosa. Taí um assunto sobre o qual pretendemos falar mais e ajudar mais por aqui.
      beijo grande,
      Patrícia

  2. 3
    Alex

    Algumas pessoas parecem ter um grande talento no trato com crianças. A paciência é praticamente infinita, a criatividade para inventar brincadeiras é quase inesgotável e a impressão para quem vê é que esta habilidade parecer ser algo natural. Por outro lado, talvez nem todos nasceram com este dom.

    Para alguns, lidar com os pequenos é como uma tarefa que requer algum esforço e certa dose de sacrifício uma vez que frequentemente abrimos mão de nós mesmos – de fazer as coisas que gostamos – quando e onde queremos – para suprir as necessidades dos filhos.

    Sinto um certo peso na consciência ao perceber que nem sempre quero estar com minha filha, isto é, gostaria de ler um livro, assistir a um filme, conversar com minha esposa ou fazendo qualquer outra atividade no qual também tenho prazer e satisfação. Ao mesmo tempo, sou absorvido pela responsabilidade de dar atenção para minha filha na medida em que compreendo suas necessidades emocionais, de carinho e atenção. Mas até que ponto essa autonegação em favor de nossos filhos pode ser prejudicial para nós mesmos?

    Como encontrar este equilíbrio? Qual é a saída para resolver o sentimento de culpa quando dizemos não aos nossos filhos, para o pedido de atenção que eles frequentemente nos fazem, em razão de que queremos ter tempo para nós mesmos – os pais?

    Tenho buscado algumas formas de resolver esse dilema. Por exemplo, os avós cumprem a função de babá e podem ficar com a neta quando precisamos cumprir algum compromisso, mas ainda assim não é o suficiente. Se você têm um filho único e ele é muito depende da atenção dos pais, talvez o casal não encontre tempo para si mesmos. É como uma disputa por atenção sem tréguas. A criança quer a todo tempo brincar, é inquieta e está sempre procurando fazer alguma coisa. Ligar a televisão e colocar no desenho animado não basta. Dar-lhe o tablet ou o celular para buscar entretenimento é pouco quando o que a criança deseja é a atenção exclusiva de uma adulto somente para ela.

    • 4
      Patrícia Marinho

      Olá Alex,

      Obrigada pela mensagem. Demorei para responder porque sabia que precisava parar para responder com calma. Nem todo mundo se abre assim aqui no blog e eu agradeço por isso.

      Entendo perfeitamente o seu ponto. As pessoas são diferentes e ter filhos e educá-los para a vida está longe de ser uma tarefa fácil. É fato que as crianças precisam da gente. Mas, uma vez, minha pediatra me falou uma frase que eu nunca me esqueci: “para ser um bom pai ou boa mãe, você precisa estar bem com você”. Ou seja, a autonegação, quando ela traz infelicidade e faz dos filhos um fardo, é muito negativa. Não precisa ser assim.

      Eu não sou especialista e estou longe de ter fórmulas para responder inquietações como a sua. O que eu posso dizer é que assumir que é preciso ter ajuda de outras pessoas para criar o filho não é nenhum demérito. E que, se você encontrar as atividades que sejam prazerosas para você também, as brincadeiras ajudam a deixar a sua vida mais leve, elas fazem de você um adulto mais leve. Você não precisa gostar de brincar de tudo. A pergunta é: o que você gosta de fazer. Como transformar esse gosto em tempo de qualidade com as crianças?

      O revezamento entre pai e mãe também ajuda. Assim como ter repertório de brincadeiras para acionar nas diferentes situações (é basicamente para isso que o Tempojunto serve). Um ponto importante é ter consciência de que as brincadeiras ajudam no desenvolvimento das crianças. Quando as crianças pedem a sua atenção, elas querem uma demonstração de que você se importa. Por outro lado, quando você interage de volta, principalmente na Primeira Infância, período que vai da gestação aos 6 anos, você está construindo a base para o adulto que ela vai ser um dia.

      Além disso, a criança passa por diferentes fases ao longo do seu crescimento. As menores precisam realmente de um adulto o tempo todo. Elas dependem deles. Mas, a medida que crescem, elas precisam aprender a brincar sozinhas. Faz parte do desenvolvimento socioemocional. Nas entrevistas que publicamos sobre a importância do brincar nós falamos sobre isso. Eu gosto bastante da entrevista com o Lino de Macedo:
      http://www.tempojunto.com/2015/03/07/por-que-brincar-e-importante/

      No nosso canal do Youtube também duas séries, a Brincar para Quê e a SOS Brincadeira, que servem para a gente conversar sobre assuntos como este que você levanta.

      Espero que minha resposta seja útil de alguma forma.

      Patrícia

  3. 5
    José Rogério

    Nos acomodamos e deixamos de enxergar o óbvio, então é nessa hora que o toque de alguém nos faz refletir melhor e mudar nossas atitudes. Obrigado pelo toque.

    • 6
      Patrícia Marinho

      Olá José,
      Eu que agradeço o comentário. Ficamos muito felizes em saber que nossa mensagem consegue ajudar as famílias a serem mais brincantes. Volte sempre.

  4. 7
    Regilane Oliveira

    Muito obrigada pela matéria, isso tem me incomodado muito!😞 Me pego com preguiça de brincar, um desânimo…E isso já estava me incomodando bastante.
    Meu filho tem 6 anos e já reclama que eu nunca quero brincar e quando brinco é por pouco tempo… Tenho certeza que vou conseguir… Amo muito meu menino e quero o melhor pra ele sempre…
    Ele tem 6 anos e eu 41, já estou com algumas alterações hormonais e isso me dá muito desânimo…Mas eu creio que vou vencer…
    Meu marido brinca muito, ele correm pela casa e brincam de se esconder e eu fico sentada no sofá, quando vou brincar um pouco eu vejo a alegria do meu filho … Ele fica muito feliz e eu também…Porque minha família é tudo pra mim.
    Obrigada mais uma vez… Bjsss Regilane 😘

    • 8
      tempojunto

      Regilane, querida, muito obrigada pela sua mensagem. Temos conversado muito sobre isso e publicado algumas dicas também no nosso Stories do Instagram, nas Lives do Facebook e nos vídeos do Youtube. A Patricia Marinho, por exemplo, sempre destaca o quanto é importante nós, mães, nos cuidarmos, tanto quando cuidamos dos nossos filhos. Talvez seja algo passageiro, momentâneo, por causa da saúde. E é importante que você se cuide :) Aqui em casa, meu marido brinca de um jeito (correr, lutar, jogar futebol) e eu de outro, mais “quieto” (tenho 45 e um filho de 11!). Se você tiver alguma dúvida ou quiser escrever para a gente, mande um email para contato@tempojunto.com. Bjo para vc! Poliana Marques – Equipe Tempojunto

+ Deixe seu comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.