Sem medo da poesia: 6 dicas para contar histórias poéticas para seus filhos


By patcamargo

Você, particularmente, pode até dizer que não. Mas muitas, muitas pessoas têm um certo receio da poesia, da leitura poética. Eu era uma destas. Quando criança, a poesia simplesmente era desconhecida para mim. Minha mãe sempre preferiu as histórias em prosas e os gibis ( e antes que alguém levante a mão, eu AMO gibis e os acho mega importantes, inclusive para nossa literatura acadêmica). Por isso, a poesia entrou na minha vida já no colégio, quase como leitura obrigatória.

Quando meus filhos eram bebês e eu escolhia livros para contar histórias raramente buscava um de poesia. “Afinal, bebês não entendem poesia, certo?” Pois é. Errado. Só depois que meus filhos entraram na escola infantil e foram expostos ao mundo da poesia é que eu me toquei da importância de eles conhecerem também esta forma literária. E não é porque “é chique”, “é culto” saber poesia. Mas porque as rimas e os ritmos próprios desta forma de expressão ajudam muito no desenvolvimento da linguagem dos pequeninos.

Daí que eu passei e contar histórias poéticas para as crianças. E estou perdendo o medo de mostrar a elas esta linguagem também em casa (porque na escola eles estão em contato frequente com poesias). E a resposta deles têm sido muito legal. Por isso, resolvi escrever este post com dicas para ler poesia para seus filhos em casa.

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Simples no começo

A primeira dica é começar com histórias simples, com rimas. Eu gosto muito da Eva Furnari, que escrever principalmente no formato rimado. Tem vários livros dela que eu posso indicar para você ler desde mesmo os bebês: “Travadinhas“, “Não Confunda“, “Você troca” e “Assim Assado“, por exemplo. Mas há outros vários autores infantis que escrevem seus livros em forma de rimas.

Eva_Furnari

Bom, mas rima necessariamente não é poesia. Eu, por exemplo, até que rimo bem, mas estou anos luz de ser poeta. De qualquer forma, ao contar uma história escrita em rimas, as crianças começam a perceber o jogo de palavras, o que torna a leitura mais divertida ainda. Aproveite para brincar de fazer rimas com as crianças. Só rimando palavras já é legal. Se seus filhos são maiores, tentem rimar frases. Este tipo de jogo aumenta muito o vocabulário deles e nosso também!

A segunda dica é escolher livros de poesia que você também goste. Os livros e histórias sugeridos pelas crianças são um passo em direção a uma plateia interessada. Mas selecionar histórias que despertem a vontade de contar no contador é importante para o bom resultado final. Quando uma história se conecta com que vai conta-la ela passa a ser interiorizada e sentida como pertencente! Eu já li muitos livros de poesia para crianças ruim demais. Talvez eu não tenha sensibilidade, mas no fundo, acho que tem bastante coisa meia boca por aí. Outros, ao contrário me emocionaram e esta emoção acabou passando para as crianças.

Eles costumam dizer “esta é a história que você chora!”. “Você vai ficar emocionada, mamãe?” Em geral, a Cururuca, do alto dos seus seis anos, vai pegar um lencinho para mim quando a noite é de histórias de poesia. Eu me encantei recentemente com o livro “Formigas“, da Elaine Cavion. A poesia dela não é metricamente rimadinha, mas como eu gostei muito, a leitura ficou, sei lá, mais bonita mesmo. E meus filhos já pediram para eu recontar várias vezes.

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A terceira dica vale para qualquer história, mas no caso da poesia é valiosa: leia antes. Às vezes acontece de pegarmos um livro novo e contar de supetão os filhos, sem mesmo tê-lo lido ou folheado. Mas a poesia tem uma necessidade de a gente conhecer antes, para dar ênfase nas partes certas, pausar quando precisa de pausa e manter o ritmo. Então, se puder se preparar para o momento, os resultados serão infinitamente melhores. Ler o livro ou história com antecedência, praticar a narração e pensar nos momentos chave ampliam a experiência.

Eu lembro que a primeira vez que contei “Poesia na Varanda” para o Pocoyo, eu acabei a história achando o texto tão chato quanto meu filho. Ficamos um olhando para a cara do outro e caímos na risada porque eu havia justamente lido de bate-pronto e tinha ficado horrível. Incompreensível. E nem era culpa do livro, coitado. Hoje, depois de lê-lo mais vezes, o resultado é bem outro kkkkk.

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Seu olhar, seu jeito de falar

A quarta dica importante é ser bem claro ao pronunciar as palavras. Poesia tem a ver com isso também. Até porque se enroscar é bem fácil. Também pense no ritmo da contação. Se for muito lento, seus filhos vão se dispersar. Se for muito rápido, especialmente para os menores, as crianças não conseguem acompanhar o enredo.

E não se esqueça de olhar para seus filhos de vez em quando. Este olhar prende a atenção deles. Não precisa decorar a história, mas também evite ficar com a cara enfiada no livro o tempo todo. Dá para adicionar ruídos, barulhos e “caras e bocas” durante a história. Isso enriquece e não estraga a poesia.

Vou começar a quinta dica assim:

Era uma casa,
Muito engraçada
Não tinha teto,
Não tinha nada

Deu para reconhecer a poesia “A casa”, de Vinícios de Morais? Pois é. Esta música, antes de ser música nasceu em forma de poesia. E como ela, muitas outras músicas conhecidas da gente foram primeiro poesia, antes de ganhar um arranjo musical. As do Vinícius de Morais para as crianças, por exemplo, são assim. Então, cantar estas músicas, também pode ser uma forma de mudar o jeito de contar uma história poética.

A sexta dica é desencanar de entender tudo. E trazer poesias mais elaboradas, com o tempo, mesmo que você ache estranho no início. Sim, tem poesias que eu leio para as crianças e elas ficam com cara de ponto de interrogação no final. Não entenderam alguma parte ou mesmo não entenderam nada. Faz parte. No meu caso, como eu conto histórias na hora de dormir, eu não fico explicando a poesia. Prefiro deixá-los assim e em outro dia, conto de novo a mesma história. Assim, cada um entende o que precisa entender naquele momento e do jeito que sabe entender. De uma próxima vez, eles entenderão outra coisa e a poesia vai ganhar um novo significado.

Não vejo a hora de ler Carlos Drummond de Andrade para eles. Ou Castro Alves, ou Fernando Pessoa, outros poetas assim. Tá, até vou ler poesia concreta, que eu respeito pela arte, mas entendo bem pouco (olha a sinceridade). Hoje à noite, ficaremos com Pedro Bandeira e “Mais respeito, eu sou criança“.

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E aí? Bóra tentar ler poesia na hora da história? Para ajudar, tem aqui uma lista legal, elaborada pelo Leiturinha, de poemas para crianças. Eu gostei. Você pode aproveitar um deles para mais tarde.

Ah! E esta aqui é minha poesia preferida. Conheci na adolescência e, de verdade, mudou meu jeito de viver e de não ter medo de certas coisas. É do Francisco Otaviano:

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem – não foi homem,
Só passou pela vida – não viveu.

E se você ainda tem dúvidas, segue as dicas da Taba, sobre a importância da poesia para as crianças:

1. A poesia contribui para a formação do imaginário, do simbólico e da criatividade. Afinal, nos poemas, as palavras sempre dizem mais!

2. Poemas expressam a beleza por meio da linguagem literária. “A poesia mostra que a língua que se lê diz mais coisas quando ela é uma língua trabalhada, artesanalmente trabalhada.”*

3. Os poemas contribuem para o desenvolvimento da sensibilidade estética, construindo uma ponte entre a criança e o mundo real e o simbólico. Por meio deles é possível perceber que as coisas podem ter diferentes representações.

As outras 7 razões estão na página deles: aqui.

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