Como seu filho pode brincar livre e você participar observando


Tem um livro que li quando tinha 7 anos e agora reli com o Pocoyo, que está com 8 anos, chamado Manú, a menina que sabia ouvir, do Michel Ende (o mesmo de A História Sem Fim), que traz uma assustadora visão do brincar livre.

Para roubar o tempo das pessoas, os vilões homens cinzentos convencem os adultos que as crianças não devem brincar sem propósito, sem um resultado ou um objetivo para seu futuro. O brincar pelo brincar é uma perda de tempo, afirmam os homens cinzentos. E as crianças passas seus dias em lugares onde todas as atividades são lúdicas, mas todas com um objetivo pré-definido. Brincar livre nas ruas, parques ou praças se torna proibido.

Esta foto acima é dos meus três filhos e mais dois amigos do Pocoyo indo brincar num bosque que tem perto de casa. Quando fiz a foto não pensei muito no assunto, mas depois de conversar com pais e mães que nos acompanham aqui e nas redes do Tempojunto, percebemos (eu e a Patricia Marinho) que brincar livre é um conceito que a gente mesmo não entende muito bem. E no dia a dia de brincar com nossos filhos, acabamos sem saber como nos posicionarmos e incentivarmos o brincar livre.

Brincar livre é assim…livre!

Quando fui gravar um vídeo de um curso para brinquedistas, tudo estava bem, enquanto eu descrevia para a produtora o passo a passo das brincadeiras e jogos. Entretanto, quando fui descrever uma brincadeira livre, eu disse: “Você dá um lugar para a criança brincar e tempo. E a deixa brincar”. O produtor demorou para entender justamente a simplicidade do brincar livre. Isso acontece com muitas pessoas.

Tem uma entrevista que fiz com a Renata Meirelles, diretora do filme Território do Brincar, em que ela explica muito bem o que é a brincadeira livre.

Eu e a Patricia Marinho também fizemos um vídeo no nosso canal do Youtube falando sobre como o brincar livre pode te ajudar no dia a dia com as crianças.

Objetos variados e nada mais

Agora que você já percebeu que é preciso um certo empenho da nossa parte para deixarmos as crianças brincarem sem ficar direcionando o tempo todo ou esperando algum resultado, vou continuar o exemplo daquela expedição no bosque que eu contei no início do post.

As crianças decidiram que iriam brincar de exploradores. Elas pegaram os materiais que quiseram levar: tinha um binóculo de plástico, um binóculo feito de rolo de papel higiênico, lupas, e um brinquedo tipo come-come.

Eu simplesmente deixei que elas decidissem o que iriam fazer, quais papéis iriam desempenhar, e observava somente para ninguém se colocar em perigo. Primeiro eles quiseram saber qual o efeito de duas lupas ao mesmo tempo.

Depois tentaram fazer um raio laser com a lupa no sol.

No meio de descobertas, diálogos engraçados e criativos e várias trocas de personagens, eles foram pesquisar várias maneiras de observar uma pedra. Olha quanta coisa na mão para ver o detalhes da pedra.

Paciência e muita observação

Então, eles olharam para cima e repararam que a árvore estava cheinha de pitangas maduras. Eu já tinha visto, mas me segurei para não interferir na brincadeira.

Primeiro, eles experimentaram pegar com as mãos, subir no pé, subir um no colo do outro para conseguir uma pitanga.

No final, usaram o come-come para apanhar as frutinhas com mais facilidade. Criaram uma pequena competição de quem pegava mais pitangas com apenas uma “mordida” do come-come.

Todo este processo, este brincar livre aconteceu espontaneamente. Sem a minha interferência, sem que eu ficasse apontando uma ou outra coisa, ou dirigindo o que eles estavam fazendo. Sei bem como é difícil ficar de boca fechada e não palpitar, mas é um ótimo exercício para mim também. De observar, de ouvir e de ter paciência para tudo acontecer no tempo que levar para acontecer.

As crianças saíram radiantes do passeio no bosque!

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