Poucas frases são tão verdadeiras quanto a “o tempo passa”. E você se apercebe mais disso quando tem filhos. Num abrir e fechar de olhos, o bebê virou criança e a criança está à beira da adolescência. E aí, a gente percebe um abismo se formando entre nós e os filhos. Este buraco além de ser preenchido pelos amigos, professores (o que é bom), também fica cheio de TV, games, smartphones. E nos sentimos excluídos da vida deles, sem sabermos direito nos aproximar do filho que cresceu.

Mas reduzir tempo de tela das crianças grandes, como chamamos por aqui, não é a única solução. Porque se não dermos opções para preencher o espaço que ficou de tempo sem telas, esta equação fica muito mais difícil.

O Tempojunto fala principalmente para pais de crianças na Primeira Infância, entre o nascimento e os 7 anos. Mas como os seus, nossos filhos crescem e a gente aprendeu a importância de manter este vínculo para termos um relacionamento saudável quando eles se tornarem adolescentes e adultos. Por este motivo, abrimos espaço aqui para um texto, publicado originalmente no Blog do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil Sabará, que responde a dúvida de uma leitora sobre como manter o relacionamento legal com os filhos, quando eles crescem.

Outro dia uma amiga, mãe de adolescentes, me perguntou: “Você tem alguma dica do que eu posso fazer para tirar as meninas da frente do celular e da TV?”. Eu ouvi a pergunta e fiquei pensando em algumas coisas.

Primeiro, lembrei da entrevista que o Lino de Macedo deu para o Tempojunto em que falava sobre o quanto era importante mantermos o hábito de brincar com os filhos, mesmo depois deles serem mais autônomos, lá para os 7 ou 8 anos, porque isto seria um forma de manter o vínculo com a criança na transição da infância para a adolescência.

Sim, porque a brincadeira é uma forma poderosa que nós, adultos, temos, de conhecer os nossos filhos. Mais do que isso, saber do que eles gostam e do que são capazes.

Se aproximar do filho que cresceu (e reduzir tempo de tela) - lista

Minha amiga começou a me contar sobre as tentativas que ela faz de trazer às filhas para seus hobbies, em geral sem sucesso. Claro que é válido apresentar os nossos gostos para as crianças e é natural ter a esperança de que eles se interessem pelas mesmas coisas que nós. Mas nossos filhos não são nossos espelhos e o caminho inverso, da gente descobrir do que eles gostam e, a partir daí, desenvolver momentos de conexão, é um processo com mais chances de sucesso.

Este raciocínio vale para as escolhas das atividades esportivas, o jeito mais óbvio de manter as crianças longe do sofá, como para a busca de outras atividades analógicas que sejam estimulantes.

O outro pensamento que tive foi que a gente precisa rever a nossa relação com a tecnologia. Porque ela veio para ficar e faz parte da vida. Não tem volta. Então porque não tentar ter uma relação mais positiva com a tecnologia. Nem todo app é passivo e ruim. Pelo contrário. Tem muitos aplicativos e sites que oferecem atividades estimulantes.

Da mesma forma, nem todo canal do Youtube é de bobeira. Minha filha, por exemplo, começou a se interessar em repetir em casa alguns dos tutoriais que ensinam como fazer bijuterias e artesanatos. Eu estou amando a possibilidade de aprender a fazer coisas novas com o resultado das pesquisas dela.

Não sei se vou conseguir evitar a presença dominante das telas na vida das minhas filhas quando elas estiverem na adolescência. Mas certamente vou fazer de tudo para encontrar e manter pontos de conexão com elas. Com ou sem a presença da tecnologia.

Não sei se você já sabe, mas aqui tem brincadeira nova diariamente. Para você não perder nada, faça parte da nossa lista da Newsletter e receba um e-mail semanal com tudo que postamos no Tempojunto.