O BE-A-BÁ do método Montessori para bebês


Muito se fala sobre o Método Montessori de educação e desenvolvimento das crianças. Aqui no blog já demos sugestões de várias brincadeiras inspiradas em montessori tanto para bebês, quanto para crianças maiores. Também falamos no Facebook de quartos com jeito montessoriano.

Nada mais natural, então, que neste domingo que falamos sobre o desenvolvimento dos bebês trouxéssemos um bate-papo incrível com uma das maiores especialistas na metodologia montessoriana no Brasil. Talita de Oliveira Almeida é presidente da Associação Brasileira Montessoriana, entidade que desde 1973 trabalha para a divulgação das ideias de Maria Montessori no nosso País. Ela é pedagoga, com MBA em gestão educacional e especializou-se na Itália, em Educação Montessori – 3 a 12 anos, em Roma, 1962/63, além de ter o certificado internacional do Curso Montessori – 6 a 12 anos, Bergamo, em 1974/75. Foi com um imenso prazer que recebemos a entrevista dela, direto da Itália, para o Tempojunto.

Maria Montessori, criadora do método

Maria Montessori, criadora do método

Quer saber mais sobre Montessori? Então continue lendo!

1. O método Montessori tem se popularizado no Brasil. Como o método trabalha a auxilia no desenvolvimento de crianças na primeiríssima infância (entre 0 e 3 anos)?

Talita – A criança, para Maria Montessori, desenvolve-se seguindo quatro planos: de 0 a 6, de 6 a 12, de 12 a 18 e de 18 a 24 anos. Quando nasce, se o ambiente permite, ela tem todo um impulso interno para a conquista do movimento e, consequentemente, do espaço a sua volta. O especialista Montessori, conhecendo bem as potencialidades internas do recém- nascido, deve criar um ambiente favorável a essas conquistas, inclusive das mãos e órgãos sensoriais, favorecendo a aquisição da linguagem, enquanto contato com a comunidade família e sociedade.
O educador, como observador, ao criar este ambiente. precisa disponibilizar os meios de desenvolvimento adequados às necessidades de cada indivíduo. Com isto, a criança vai-se inserindo pouco a pouco no ambiente com segurança e pronta às conquistas após os 3 anos: autonomia, responsabilidade e absorção da cultura do meio ambiente.

2. É possível para os pais aplicarem os princípios montessorianos em casa com os bebês e crianças pequenas? Quais são os principais aspectos que eles devem observar?

Talita – É possível, desde que os pais considerem-se observadores de um desenvolvimento normal e não “treinadores” de habilidades e mesmo competidores entre as demais famílias e crianças de seu meio social.
A família precisa conhecer os princípios montessorianos, para não reproduzir em sua casa, uma escola onde os objetivos são diversos. A criança nasce numa família e é nela que precisa viver, compartilhar e mesmo cooperar. Não existe na criança de zero a seis anos um ser incapaz e dependente. Este ser tem metas que o adulto precisa ajudar para que elas sejam conquistadas em seu devido tempo, como, por exemplo, a linguagem. Cada família é um universo de cultura, valores, conhecimento e integrar-se a tudo isto é a função da infância, pois a partir dos seis anos a criança já tem novas conquistas a realizar, mas que vão depender enormemente das conquistas anteriores. A superproteção talvez seja um dos principais problemas da primeira fase.

Desenvolvimento do bebê com a especialista Montessori Talita Meneses - talita meneses

3. Você pode citar 2 ou 3 atividades/brincadeiras com base em Maria Montessori que podemos fazer com bebês e crianças?

Talita – A música é muito importante para a criança assim como o movimento. Pensemos nos jogos antigos de roda, de “lenço atrás”, de “queimado”,…

4. Está se tornando recorrente em sites e blogs de decoração o termo “quarto montessori”. Além da cama no nível do chão e os objetos ao alcance da criança, quais são as outras características essenciais de um quarto que siga a filosofia de trabalho montessoriano?

Talita – Neste conceito de quarto Montessori eu tenho algumas críticas, pois o mais importante é ter uma “casa” Montessori, onde os objetos estejam favoráveis, os perigos protegidos, haja integração e relação entre coisas e pessoas. No “quarto” Montessori pode haver um mundo que se exclui inclusive o adulto. Modismo?
Ser montessoriano é uma maneira de viver, com autonomia, responsabilidade, verdade, harmonia e respeito. E esta deve ser a meta de uma família hoje, mesmo não sendo montessoriana.

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5. O que é preciso para alguém se especializar na educação montessoriana?

Talita – Para mim, todos a volta de uma criança são educadores, com funções bem definidas. Mas primeiro pode-se partir do que é democracia e direitos humanos. Em seguida, quais os direito e deveres de uma criança e dos adultos a sua volta. Depois, conhecer a psicologia de desenvolvimento em suas etapas tão diversas para então ler sobre Montessori e suas ideias e ideais.
Para ser um professor, é preciso conhecer-se bem, fazer um curso de especialização para verificar se este é o caminho profissional correto e trabalhar, praticar cada vez melhor, acreditando na “criança Montessori” que será o homem de amanhã.

6. Há algum aspecto da educação infantil em que a educação montessori não é indicada?

Talita – Eu diria que para a educação, em geral, dar certo é necessária a integração escola-família. Não se pode trabalhar com valores opostos.
Sinto a sociedade meio confusa, prisioneira de filhos que não está sabendo criar, dar limites. Em vez de ser parceira no projeto educacional, muitas vezes, ela, família, cobra da escola os limites que ela não soube dar.

7. Há alguma outra informação ou aspecto importante da relação entre a metodologia montessoriana e a educação na primeiríssima infância que é importante destacar?

Talita – Em geral, subestima-se um recém -nascido e a criança só é considerada após a aquisição da linguagem. A criança é um ser desde o momento de sua concepção e o casal precisa estar consciente de sua grande responsabilidade
por toda uma vida. Assim, todo o longo processo de desenvolvimento deve ser considerado um processo de educação do qual o adulto, ao fazer aquele filho, tornou-se responsável devendo educá-lo e amá-lo incondicionalmente, pois o futuro é construído a cada momento de nossas vidas.
Concretamente, educar na primeiríssima infância, significa colocar como ponto central desta vivência a própria criança valorizada na sua unidade e diversidade, desejando proteção e independência, exploradora ativa dos espaços, dos objetos, das relações afetivas

Tem muito mais dicas de brincadeiras aqui no site. É só usar uma das nossas ferramentas de busca para encontrar o que precisa. E se você não quiser perder nenhum conteúdo que publicamos para bebês, clique aqui para baixar o seu ebook “Como montar uma área de brincar” e entrar para a nossa lista de emails. Toda semana mandamos um resumo que foi publicado no blog para você. 

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9 Comments

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  1. 1
    Laudelinadaher

    Trabalhei muitos anos em uma escola Montessoriana. Hoje trabalho com criancas e adultos com Autismo e uso o Método. Gosto muito. Gostaria sim de estar sempre me atualisando. Adoro site.

    • 2
      Patricia Camargo

      Oi Laudelina! Você se inscreveu na nossa Newsletter? As novidades chegam no seu email e você não perde nada! BJs

  2. 3
    Talita

    Amei esse texto. Eu acredito muito no método e acabei de reformar toda minha casa para colocar a altura da minha filha tudo que é necessário no ambiente dela e com segurança. Fiquei feliz que meu marido aceitou fazer a mudança toda para juntos darmos a mesma educação. É muito importante que a família (pai e mãe) estejam igualmente direcionados e com pensamentos similares sobre a educação dos filhos.
    Gostaria de receber mais informações sobre o método Montessori.

    • 4
      Patrícia Marinho

      Olá Talita,
      Que bom que você gostou do texto. A gente também se interessa pelo método e por isso foi atrás do especialista para nos falar mais sobre o assunto. No entanto, este não é um tema fixo da nossa linha editorial. Praticamos algumas atividades e postamos, mas sem uma periodicidade definida. Não conseguimos mandar para você só essas informações. Se você colocar a palavra “Montessori” no campo de busca do site, aparecerão os posts já postados sobre o assunto e eles podem servir de referência para a sua pesquisa. Espero que ajude.
      Beijos,
      Patrícia

  3. 5
    Debora

    Senti um pouco de arrogância da parte da entrevistada…. me pareceu estar mais criticando quem quer aplicar o método e tem pouco conhecimento do que realmente a ajudar. Embora co Corde com o que ela disse, creio que há outras formas de incentivar mais a utilização do metodo…..É verdade que está virando modismo, que a educação atual não respeita tanto a ccriança como indivíduo em vários aspetos, mas creio que é aprendendo sobre o método que se começa a amplificar o conhecimento, o respeito, e ter ideias de como vamos aplicá-lo. ler o livro (a crianca, mente absorvente….) já abre muito nossa mente … mas achei otima a entrevista, so gostaria de ver mais incentivo ao metodo no josso país. .. incentivo de verdade, ensinamento. ..pois nao ha como conhecer o mmetos e nao amar!

  4. 6
    pamela

    Parabéns pela entrevista e pela matéria! As pessoas atualmente estão no modismo do quarto e esquecem todo um conceito que é fundamental sere levado serio! Fiquei com duvida com relação a própria educação, exemplo, quando os pais concordam com o método é importante compartilhar com os avós? As pessoas que estão ao redor da criança?

    • 7
      Patrícia Marinho

      Oi Pamela, obrigada!
      respondendo a sua pergunta, quanto mais consenso houver em torno de como se deve criar / estimular a criança, melhor. Por outro lado, como nem sempre isso é possível, é importante entender qual é o real papel do adulto em questão com a criança. Se é um contato esporádico, dá para estabelecer coisas como “na casa da vovó pode tudo”, sem que isso afete a educação da criança e os avós possam desempenhar um papel relevante. O ideal, nos casos de discordância, é tentar encontrar um ponto de equilíbrio porque, do contrário, só quem tem a perder é a própria criança, que não vai conseguir ter uma rotina e nem entender quais são os códigos / valores que devem orientar o seu próprio comportamento.
      ok?
      beijos,
      Patrícia

    • 9
      Patrícia Marinho

      Oi Krishna,
      Bom ponto. Você está perguntando por conta dos móveis baixos, incluindo a cama no chão ao invés de berço, certo? No período em que a mãe estiver de resguardo, a criança pode dormir, por exemplo, no moisés, no carrinho, ao lado da mãe. Vai depender de cada mãe e da estrutura de suporte que ela venha a ter no período de recuperação.
      Beijos,

      Patrícia

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