A brincadeira na forma de poesia de Lalau e Laurabeatriz


Uma casa com ares de interior, com a atmosfera da cultura dos livros impregnada em cada espaço. Sou recebida por uma muito simpática Laurabeatriz que me alerta sobre um dos quatro cachorros da casa, uma labradora que também vem me cumprimentar logo que eu entro. Lalau chegou junto comigo, também muito sorridente. As paredes repletas de livros e uma mesa de desenho me chamam a atenção. São muitos livros mesmo. E a mesa é rodeada por inúmeros potes de tintas coloridas, pincéis, grafites e outros materiais de desenho. Parece casa de sonho de criança.

E é neste ambiente que eu começo a conversar com uma das duplas mais importantes da literatura infantil brasileira. Lalau e Laurabeatriz assinam dezenas de títulos em poesia e prosa. Ele escrevendo e ela ilustrando. Talvez seu trabalho mais conhecido seja a coleção Brasileirinhos. Eu os conheci com seu primeiro livro, Bem-te-vi, que foi selecionado para ser o primeiro exemplar distribuído pela projeto Leia para Uma Criança, da Fundação Itaú Social (foram 4 milhões de exemplares entregues). Quem é quem, O que levar para uma ilha deserta, O presente do Saci, Diário de um Papagaio e Que João é esse Que Maria é essa, são outros títulos.

A brincadeira na forma de poesia de Lalau e Laurabeatriz - montagem livros

Lalau também é publicitário. Mas a vontade de escrever para crianças vem desde sempre. Assista neste trechinho de entrevista quem o inspirou.

E José Paulo Paes foi também o primeiro “professor” da arte de escrever poesia para as crianças.

A parceira entre os dois começou há 21 anos, em 1994, com o Bem-te-vi. Desde então, a produção de Lalau e Laura já ultrapassou os 40 títulos, muitos deles altamente recomendados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O principal tema que permeia as obras da dupla é o meio-ambiente. “Nesse mundo em que vivemos hoje, planeta Terra, é impossível não nos preocuparmos muito com o meio ambiente. Usar esse tema em nossos livros não deixa de ser uma maneira de lutar para melhorar a vida do nosso planeta”, explicou a ilustradora em uma entrevista para o site Educar para Crescer, em 2010. Cinco anos depois, o assunto continua atualíssimo.

Ela conta como foi bem recebida pelo público infantil. E uma frase me chamou atenção: “Eu vou ilustrando com alegria e sem filosofar muito. Como as crianças fazem”. Na minha opinião esse é o fator determinante do sucesso entre os pequenos.

Neste outro trecho Laurabeatriz explica como funciona seu processo de criação.

Escrever para criança é uma deliciosa brincadeira

Quando a gente pergunta para Lalau se é diferente escrever para criança e para o adulto, a resposta dele é imediata: “Não”. E neste trecho ele conta que o segredo é tratar a infância com inteligência. Ele também dá sua opinião sobre ser ou não difícil entender poesia.

“Um dia, li um livro do José Paulo Paes, o ‘Olha o bicho’, e fiquei apaixonado. Depois, conheci José Paulo pessoalmente e com ele aprendi que ‘poesia é brincar com as palavras como se brinca com bola, papagaio, pião’. Achei isso tão legal, que não parei mais de inventar rimas e versos. Com outro grande poeta, Manoel de Barros, descobri que dá para fazer poesia com tudo o que existe no mundo, desde as coisas mais simples até as mais malucas. Escrever poesia para crianças é uma deliciosa brincadeira!”, afirma Lalau.

O autor contou que procura imprimir em suas rimas o inusitado, a surpresa, as múltiplas possibilidades de uma mesma palavra. A criança gosta disso, e tem grandes chances de fazer com que a palavra seja um brinquedo lúdico e companheiro de todas as horas.

Olha que linda a descrição que Lalau faz no final do livro “A última árvore do mundo” sobre sua relação pessoal com a brincadeira.

Lembro que, numa das rua próximas à minha casa, havia um matagal e, nele, um antigo carvalho. A criançada o chamava de Arvorão. Aquela grande árvore tinha toda a paciência do mundo com nossas brincadeiras e nossa imaginação. Num dia, o Arvorão era um navio pirata. No outro, um gigante de braços compridos. E assim por diante.

O mercado ainda depende das escolas

Cada vez que eu converso com um autor sobre o mercado de livros infantis eu percebo o quanto ainda temos que avançar. Mesmo com as campanhas de incentivo à leitura que têm dado resultado e aumentado o número de livros lidos pelos brasileiros, ainda é pequeno o número de famílias que faz da compra do livro infantil um hábito. O sucesso de um livro para crianças atualmente depende muito ainda da adoção do título por uma instituição de ensino.

Com um livro lançado neste mês, chamado Um copo D’água, e outro já em produção, de poesias sobre os animais da África, Lalau e Laurabeatriz são a prova que uma parceira pode render muito juntas. E ouvir como eles trabalham juntos é muito gostoso. Aliás, é muito bom ver pessoas que eu particularmente admiro contar como a criação de um livro acontece.

A brincadeira na forma de poesia de Lalau e Laurabeatriz - livro copo dagua

E para encerrar, Laura e Lalau respondem o que é brincar para cada um. Um show!

A gente vai falar ainda com muitas pessoas sobre a brincadeira, seja em livros, na música, nas artes plásticas entre outras formas de manifestações culturais. Para não deixar nenhuma escapar, faça parte da nossa lista da Newsletter Tempojunto. É gratuita e você fica atualizado semanalmente sobre nossas novidades.

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