Aproveitar a brincadeira como meio de inclusão da criança com e sem deficiência


Oi, aqui é a Patcamargo. Faz tempo que eu queria falar sobre a brincadeira como uma catalizadora da relação entre todas as crianças. Mesmo aquelas que têm alguma deficiência, seja ela qual for. Eu sempre digo que na minha opinião, brincar é o que existe de mais inclusivo que os pais podem oferecer aos filhos. A gente até falou sobre isso num dos posts da série Brincar prá Quê? sobre diferenças.

Mas neste sábado de Importância do Brincar, fomos um pouco mais a fundo sobre a brincadeira como meio de inclusão da criança porque sabemos que sempre estão juntinho conosco os familiares e educadores que vivem a inclusão das crianças no dia a dia.

Fomos pesquisar (alguns artigos que eu li estão listados no final deste post) e conversar com especialistas e instituições que apoiam crianças com alguma deficiência, como a APAE-SP, o LARAMARA e até a AACD e confirmamos o que já imaginávamos: o brincar é o melhor veículo de interação das crianças e as brincadeiras podem ser brincadas por todos.

Aproveitar a brincadeira como meio de inclusão da criança com e sem deficiência - criancas brincando na cadeira de rodas

 

Um livro incrível que eu conheci nestas pesquisas é o Brincar para Todos, escrito por Mara O.Campos Siaulys, presidente da LARAMARA, uma associação de assistência ao deficiente visual aqui em São Paulo e referência no Brasil. O livro traz uma enormidade de brincadeiras que podem ser feitas por pais e filhos ou por crianças independentemente de ter ou não um grau de dificuldade de visão.

Outro livro que recomendo é Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos, do Instituto Mara Gabrilli, que também traz vários exemplos de brincadeiras. E sabe o que é o mais incrível? O título do livro nem precisava do “inclusivos” porque as brincadeiras que estão lá não têm nada de especial ou diferente. São as brincadeiras que postamos aqui, todos os dias. Talvez um olhar ou um cuidado a mais sejam necessários, mas na maioria dos casos, brincar é brincar e ponto final.

“É no brincar que a criança tem a possibilidade de desenvolver habilidades motoras, perceptivas e cognitivas”. Afirmação que tirei do livro e que resume tudo, não é mesmo?

Foi também neste livro que eu aprendi que não existe receita para que uma brincadeira seja inclusiva, para que se enquadre em todas as situações. No entanto, algumas premissas são básicas para garantir a diversão de todos. As principais são:

• Respeitar o tempo de cada um;
• Respeitar o conhecimento de cada pessoa;
• Combinar com os participantes a melhor forma de tornar a brincadeira inclusiva;
• E, por fim, tentar proporcionar a mesma oportunidade de experiência para todos os participantes.

Tão simples como deve ser

Fernanda Monteiro é terapeuta ocupacional, formada há 10 anos. Especializanda em Psicomotricidade Relacional, Pós-Graduada em Ergonomia e Gestão Organizacional. Ela sempre trabalhou com crianças, com e sem deficiência, diretamente relacionado à estimulação infantil. Atualmente, realiza orientações para escola referentes à inclusão de crianças com deficiência. Realizou treinamentos para professores da rede pública para inclusão de crianças com deficiência no ensino regular. E é por tudo isso que conversamos com ela sobre a importância da brincadeira no desenvolvimento das crianças com deficiências. Atualmente também pilota o projeto App Brinq.

fernanda_monteiro

“A ocupação da criança é a brincadeira. O que for feito para que a criança entenda ou interaja precisa ser lúdico”, explica Fernanda. Ela explica que o brincar facilita a aproximação do adulto com a criança (tanto com, quanto sem deficiência) porque coloca todos no mesmo nível. Ele deixa de ser o que sabe mais. “Por exemplo, em uma brincadeira de imaginação, se a criança é o “papai” ou a “mamãe”, o adulto, como filho, terá que obedecer”, esclarece.

Fernanda explica que a brincadeira é a ferramenta que a terapia usa para chegar até a criança, porque esta é a linguagem que elas entendem e se comunicam. Então, uma evolução de desenvolvimento ou dos estímulos é percebida durante a brincadeira. Veja como ela fala sobre a experiência com crianças em abrigos, com as quais ela trabalhou.

Infelizmente ainda o olhar das pessoas pode trazer dúvidas sobre se a criança com deficiência brincam. A gente sabe a resposta, mas perguntamos também para a Fernanda. Será que a resposta dela é diferente do que você imagina?

E como brincar? A Fernanda responde:

Outra coisa incrível que a Fernanda confirmou para a gente é a capacidade que a brincadeira tem de colocar juntas crianças com ou sem deficiências. “Porque a criança aprende depois o que é uma deficiência mais para frente”, conta a terapeuta. No momento de brincar criança é criança. Ela até percebe diferenças, mas ela não se atenda a isso. Ao contrário, a tendência é que naturalmente as crianças encontrem meios de fazer a brincadeira funcionar.

Os adultos precisam entender que a brincadeira não precisa ser igual

Como nada é por acaso, quando estava pesquisando o assunto, a Michelli Freitas (contato@pedagogiaestruturada.com.br) falou com a gente pelo Facebook porque nos seguia e achava que nossas dicas de brincadeiras funcionavam bastante no seu trabalho com crianças autistas. Ela é mão do Diogo, que tem e é Pós-Graduanda em Psicopedagogia, e Ensino Estruturado para Criança Autista. Quando a Michelle disse que poderia colaborar com a gente, eu fiquei bem feliz. Então, ela vai aparecer aqui no Tempojunto em alguns momentos para falar deste assunto. Mas ela já escreveu um pouco aqui:

michelli_diogo

Olá pessoal. Afinal crianças autistas brincam ou não? Qual a importância do brincar? Autista, só gosta de ficar sozinho, no canto dele? Autista não gosta de ser tocado? Autismo é sinônimo de retardado mental? E com todas essas “características” eles brincam? Sabem brincar?

Quantas perguntas, quantas dúvidas. Bom e para conversarmos um pouco sobre as crianças autistas brincando vamos começar conceituando brevemente o autismo. O autismo é um Transtorno, não é uma doença, que atinge 1 a cada 68 crianças segundo dados do CDC (Center Disease Control) nos Estados Unidos. Existem estudos que já falam 1 a cada 45, prevalecendo maior número de meninos, na proporção de 1 para 4. É um transtorno de desenvolvimento que atinge áreas de comunicação (demoram mais a falar e muitos não chegam a falar), interação social (como a comunicação está prejudicada e existem falhas de habilidades sociais, fica difícil interagir com outras pessoas), comportamentos restritos (ou seja interesses restritos, gostam das mesmas coisas, tendo dificuldade ao novo).

Então se tenho uma criança com todas essas características como é que elas vão brincar? Não é muito mais fácil que ela fique mexendo no computador, vendo vídeos fazendo sempre a mesma coisa? A resposta é: NÃO. São crianças que tem toda a capacidade de brincar, nós só precisamos ensinar, ter paciência para respeitar suas diferenças e dificuldades. Veja este vídeo da Michelli.

Mas então essas crianças brincam mesmo com todas estas características? A resposta é: SIM minha gente elas brincam, e podem brincar muito apropriadamente bem como seus pares da sua idade. Mas para isso acontecer o primeiro passo deve ser sabe de quem? Seu, isso mesmo você que está lendo este texto. A criança autista até que ela aprenda a brincar, até que ela como dizemos adquira o repertório de brincar ela precisa do adulto para mediar essa brincadeira para ensiná-la como brincar, para mostrar o quanto brincar pode ser divertido e prazeroso.

Mas como é mesmo que se brinca com as crianças autistas? Primeiro você deve aprender como brincar com as crianças. Será que sabemos brincar temos disposição corporal, emocional para brincar com nossas crianças? Se a resposta é não, você está no local certo porque o Tempojunto está cheio de ideias para você brincar com sua criança. Mas e com as crianças autistas? Bom essas precisam da sua paciência, do seu olhar de observação para ver o que a interessa, precisa de um ambiente com menos estímulos, de apoios visuais para que ela entenda o que você quer dela. De uma fala mais econômica, clara, pausada para que assim ela tenha chance de saber o que você espera dela na brincadeira. Boa Sorte a todos e não desistam nunca de suas crianças tenham a elas a dificuldade que tiverem.

“Carlos Drummond de Andrade dizia que ao brincar com a criança o adulto estava brincando com ele mesmo. Aproveite essa oportunidade e não só incentive, mas participe da brincadeira, ambos, adultos e crianças, só tem a ganhar, já que não há contraindicações para o brincar.” (extraído do livro Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos).

Referências:

Revista Católica – O brincar e a criança com deficiência

A importância do brinquedo para a criança com deficiência visual

Se você quiser mais sobre este assunto temos um E-Book gratuito criado especialmente para responder perguntas sobre como trabalhar a brincadeira e os brinquedos para crianças com deficiência, que você pode ler e consultar onde estiver. Fazendo um cadastro você tem acesso a dicas e informações importantes para tratar a brincadeira de forma inclusiva para as crianças com deficiência, podendo ser consultado onde você estiver. Basta clicar na imagem abaixo:

 

7 Comments

Comente
  1. 1
    Harriete

    De fato o brincar é o melhor caminho para se criar vínculos, entrar no mundo da imaginação da criança, estimular seus potenciais e desenvolver atividades terapêuticas prazerosas e eficientes.

    Parabéns pelo artigo!

  2. 2
    Camila Bruno Costa

    É gratificante quando reconhecemos as nossas crenças em outros trabalhos. Parabéns pela iniciativa!
    Também sou Psicomotricista e educadora há 16 anos. Trabalho em São Paulo em uma clínica, ministro aulas no curso de pós-graduação em Psicomotricidade e atuo como assessora educacional em escolas particulares e da rede pública.
    Tenho um grupo de pesquisa da cultura infantil e construção de brinquedos que vocês irão gostar. Atualmente, não sei separar o brinquedo dos meus atendimentos, principalmente por perceber o quanto essas propostas contribuem para evolução dos meus pacientes, e a minha também!
    Meu grupo chama Muriquinhos, temos página no facebook e blog: muriquinhosblogspot.com
    Um abraço,
    Camila Bruno Costa – camilabruno@hotmail.com

    • 3
      Patrícia Marinho

      Olá Camila! Obrigada pelos elogios. Fui lá ver o site e você tem razão, tem tudo a ver com a gente. Obrigada pelo contato e por nos apresentar o seu projeto.
      Beijos,
      Patrícia

  3. 4
    Guilherme

    Adorei, sou Fisioterapeuta Infantil e tbm sou assessor educacional na rede privada e publica de ensino, e to fascinado pela trabalho, só to com uma duvida, tentei encontrar o APP brinq e não achei, onde eu encontro? nao achei disponivel no play Store nem no IOS!

    deixo meu contato para trocas de experiencias, tbm possuo um BABYSPA que trabalha tbm mto nessa area!

    guilherme_bilancieri@yahoo.com.br

    Att.

    • 5
      Patricia Camargo

      Oi Guilherme, tudo bem? Que legal que você gostou deste post. Aqui é a Patcamargo. Eu tenho um mega carinho por este assunto. A Fernanda do AppBrinc pode responder melhor para você sobre o aplicativo pelo facebook deles https://www.facebook.com/appbrinc/?fref=ts Você vai ver que é bem legal!

      Contatos anotados! Obrigada!

  4. 6
    Sandra CorreCorrea

    Boa tarde meu nome é Sandra Correa Psicanalista e Pedagoga desenvolvo trabalho de inclusão em escolas. Tenho por objetivo ensinar aos docentes um novo olhar para educação a partir dos conceitos da Psicanálise; conceito esse que enriquece muito o dia a dia escolar e promove mudanças efetivas no processo ensino aprendizagem. Muito obrigada pelo espaço precisarem de alguma contribuição segue meus contatos santorres09@gmail. Com ou whats 11952073647

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