A importância do brincar e a psicologia infantil: entrevista com Natércia Tiba


É. O sobrenome soa mesmo familiar. A força do trabalho do psicólogo, psicodramaticista, Içami Tiba, escritor do sucesso “Quem Ama Educa”, entre outros livros não deixa dúvidas. Entretanto, a nossa convidada da coluna A Importância do Brincar deste mês, Natércia Tiba, tem sua estrela e trabalhos próprios reconhecidamente importantes no cuidado com a família. Em seu currículo, ela destaca que Sinto que, nesse encontro do psicodrama com a abordagem sistêmica e minha bagagem de mais de 10 anos de consultório, minha identidade profissional está mais consolidada do que nunca. E é isso que você poderá aproveitar nos vídeos abaixo. Acompanhe.

Ao falar sobre a brincadeira, Natércia foca sua análise na brincadeira como interação e exploração de si e do ambiente. Assim, a criança começa a brincar com este objetivo a partir mais ou menos dos 3 meses de idade. “Nesta fase ela começa a explorar o corpo, interage com móbiles e é uma busca natural da criança para se desenvolver”. E por ser assim, o bebê consegue brincar sozinho, se inexistir a interação do adulto. Mas será que essa forma de brincar é a melhor? Qual o papel dos pais na brincadeira de bebês? Assista a resposta da psicodramaticista.

Idade para brincar? “Eu acredito que brincar é sempre do bebê ao adolescente”. Isso mesmo. Natércia explica que pode e deve haver momentos em que a criança queira brincar sozinha e, em outros momentos com os amigos. Mas a presença dos pais nestes momentos de brincadeiras continua sendo fundamental. O conselho de Natércia é que juntos, pais e filhos busquem atividades lúdicas que agradem aos dois. A relação no futuro, com a adolescência, só tende a ser melhor desta forma. Veja:

A importância do brincar - entrevista com Natércia Tiba - natercia

Com 12 anos de trabalho em consultório, atendendo principalmente a família, é possível formar um retrato da opinião dos pais sobre o brincar com os filhos. Sabe que a resposta me surpreendeu?

E se a prática da brincadeira parece difícil para os pais que não tiveram esta oportunidade quando crianças, a boa notícia é que brincar se aprende ou reaprende. E aqui outra sugestão muito legal de Natércia Tiba: “sente com seu filho e pergunte o que fazer, como brincar e deixe que ele guie a situação. A criança vai adorar ser o ‘mestre’ e saber que ela também pode ensinar alguma coisa a um adulto”. Simples e incrível, não é?

A importância do brincar - entrevista com Natércia Tiba - criancas brincando

Uma pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Ipsos e a Unilever trazia um panorama nebuloso com relação à importância que os pais davam ao brincar e como eles se relacionavam com isso. Apesar de 53% dizer que brincava diariamente com as crianças, apenas 14% tinha prazer com a atividade lúdica. 84% destes pais de 77 cidades brasileiras acreditavam que os filhos teriam um futuro melhor se estudassem mais e brincassem menos.

Já em 2012, outra pesquisa sobre a visão da sociedade acerca do desenvolvimento infantil feita pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e o Ibope trouxe que somente 14% dos pais entendiam a brincadeira como algo importante para o desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos. Mais recentemente, a revista Crescer publicou os resultados de mais uma pesquisa feita pela própria revista com 1.887 pais no Brasil sobre a brincadeira. Nela, observou-se que 49% das crianças brincam de 3 a 6 horas por dia. 31% brinca menos que isso. Por outro lado em 60% dos casos, os pais são os principais companheiros de brincadeiras dos filhos.

Com tantos números, afinal, a brincadeira está ou não retomando seu lugar de importância no desenvolvimento das crianças? É a nossa entrevistada quem responde.

Outra pergunta que fica na cabeça da gente é se a brincadeira traz mesmo benefícios para o desenvolvimento psicológico das crianças. Bom, das crianças e dos pais destas crianças também. Assista.

E além de indicar, praticar no seu consultório e na vida particular (ela é uma mãe super brincante de dois filhos, de 13 e 10 anos. E brinca com eles!), Natércia conta que os pais precisam mesmo brincar como se fossem crianças, sem a preocupação de frustrar o filho, por exemplo, num jogo de sorte ou azar. “É claro que não dá para jogar algo que dependa de estratégia entre pais e filhos. Mas um jogo de dados não há problema nenhum. Muito ao contrário”, explica a especialista.

Para encerrar, o recado: brincadeira não tem que ser aquela “só da nossa época”. Olha a experiência dela com Minecraft (conhece?) por exemplo.

A importância do brincar - entrevista com Natércia Tiba - minecraft

Mais um pouco sobre recentes pesquisas sobre o brincar:

69% da crianças até 9 anos preferem brincar ao ar livre que ficar na frente da TV ou computador (estudo EGM Kids 2013). Ainda na mesma pesquisa, 54% prefere brincar com seu animal de estimação e 10% prefere brinquedos.

Todo mês tem uma entrevista com um especialista do brincar. Se você não quer perder nenhum destes bate-papos, inscreva-se na Newsletter, que semanalmente você terá todas as novidades do blog.

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