O que é o brincar? Esta frase simples na verdade tem muito para pensarmos.

Podemos, é claro, ter uma definição bem direta e simples: “brincar é o que faz as crianças, quando não têm outra coisa para fazer”.

Porém, esta explicação, além de simplista está incorreta. Brincar é o que todos nós fazemos quando nos conectamos com momentos felizes da vida. E, claro, também é a principal atividade da criança.

Portanto, brincadeira não é “para quando não temos mais nada de importante para fazer”. É para quando queremos fazer algo importante.

O que é o brincar? É se conectar com seu filho

O que é o brincar tem várias definições

Consultando o dicionário:

“Brincar é diversão, divertir-se”. E de fato é isso mesmo. Mas, olhando outros verbetes do dicionário, encontramos explicações que diminuem a importância do brincar.

Porque ao longo de muitas décadas, a palavra brincar virou sinônimo daquilo que “não é sério”; “não é importante”; “é coisa de quem não tem nada melhor para fazer”. E este, sim, é um conceito que precisa sair da sua cabeça AGORA!

Ao olharmos para a etimologia, ou seja, para a origem da palavra “brincar”, encontramos brinco. Do latim vinculum que quer dizer laço; que deriva de vincire, que significa encantar.

A criança experimenta e entende o mundo através da brincadeira.

Brincadeira é a melhor relação com a vida que você pode ter

Entendendo a importância de brincar para as crianças?

Mais ainda, a importância de nós adultos termos uma vida brincante? A verdade é que “que brinca em serviço” trabalha mais e melhor. Porque sua paixão está ali. O trabalho ou profissão que exerce encanta.

Existe, inclusive eu importante cientista e pesquisador das relações humanas e sociais, que criou o termo Homo Ludens. Para Johan Huizinga, a humanidade nem sempre consegue ser sábia e racional (Homo Sapiens). Também não conseguimos ser construtores o tempo todo (Homo Faber).

Porém, podemos e devemos ser homens brincantes sempre para mantermos a sanidade pessoal, social e o vínculo com o que nos apaixona.

brincar é a mais importante atividade das crianças

No Tempojunto, brincar é recriar

Ao buscar um pouco mais no dicionário, encontramos uma definição de brincar que cabe melhor:

Brincar é recreação.

E a gente aqui no Tempojunto vai usar esta definição “divertida”, para trazer a nossa definição de brincar: brincar é RE-CRIAÇÃO é RE-CRIAR.

É toda oportunidade que a criança e o adulto têm de fazer algo novo, de descobrir, de experimentar, de imaginar e transformar o dia a dia.

Brincando você recria o seu tempo com seu filho e deixar que seu filho recrie o tempo da maneira que ele precisa.

É um estado de espírito, mais do que uma atividade.

E na prática, brincar é…

Na prática, no dia a dia, brincar é muito mais que sentar e interagir com um brinquedo. Brincar é também cantar junto, inventar história, contar piada, fazer cócegas. É dançar no carro e correr na chuva. Soltar pipa, ver fotos no álbum e rir de si mesmo.

mãe ao brincar com seu filho de imaginação
Foto: arquivo pessoal

Uma mesma atividade pode ou não ser brincar, dependendo da forma. Jardinagem pode ser super divertido para uma pessoa e mega chato para outra. Por isso, mais do que definir o brincar, temos que pensar no que caracteriza o brincar e colocar esses elementos na vida!

brincar com o bebê também estimula o desenvolvimento

Referências para aprofundamento

Jack Shonkoff é diretor do Center on the Developing Child, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Tizuko Morchida Kishimoto é professora da Universidade de São Paulo, mantém grupo de pesquisa no Brasil, em rede com grupos internacionais para discutir e estudar as especificidades do brincar e da infância. É organizadora do livro “O brincar e suas teorias”.

Artigos:

Fortuna, Tânia Ramos. “Sala de aula é lugar de brincar.” Planejamento em destaque: análises menos convencionais. Porto Alegre: Mediação (2000): 147-164.

NAVARRO, Mariana Stoeterau. “O brincar na educação infantil.” IX Congresso Nacional de Educação. Vol. 9. 2009.

Fortuna, Tânia Ramos. “Vida e morte do brincar.” Porto Alegre: Editora da UFRGS (2004): 47-59.

Yamamoto, Maria Emília, and Ana Maria Carvalho Almeida. “Brincar para quê? Uma abordagem etológica ao estudo da brincadeira. Apresentação.” Estudos de Psicologia 7.1 (2002): 163-164.

Pontes, Fernando Augusto Ramos, and Celina Maria Colino Magalhães. “A transmissão da cultura da brincadeira: algumas possibilidades de investigação.” Psicologia: reflexão e crítica 16 (2003): 117-124.

Bodrova, Elena, and Deborah J. Leong. “The importance of play: Why children need to play.” Early Childhood Today 20.1 (2005): 6-7.

Glenn, Nicole M., et al. “Meanings of play among children.” Childhood 20.2 (2013): 185-199.

Livros:

Winnicott Brincar“>Winnicott, Donald Woods. O brincar e a realidade. Ubu Editora, 2020.
O brincar e suas teorias – Tizuko Morchida Kishimoto (organizadora), Cengage Learning, 2019

Jogo, Brinquedo, Brincadeira e Educação – Tizuko Morchida Kishimoto (organizadora), editora Cortez, 2011

Brinquedos de Chão“>Brinquedos do Chão: a natureza, o imaginário e o brincar, Gandhy Piorski, Peirópolis, 2016

O que fazer? Brincar – Fundação Maria Cecília Souto Vidigal: Brincar ajuda o desenvolvimento | O que fazer?

Filmes: Tarja Branca (Cacau Rhoden), Território do Brincar (Renata Meirelles) e O Começo da Vida – capítulo Brincar (de Estela Renner) – todos disponíveis em plataformas de streaming e no Videocamp.