Importância do brincar: essa tal tecnologia. Entrevista com Flávia Meleras


Uma vez por mês durante dois anos nós trouxemos aqui no Tempojunto aos sábados dicas de aplicativos legais que você pode usar com seu filho em tablets ou celulares. Em outras oportunidades, escrevemos sobre usarmos a tecnologia e os aparelhos eletrônicos como ponte de brincadeiras com as crianças.

Em alguns momentos, recebemos comentários sobre a validade de indicarmos a tecnologia como brincadeira. Tanto eu (aqui é a Patcamargo), quanto a Patricia Marinho entendemos que a diversidade de estímulos do brincar é fundamental para as crianças e que a tecnologia faz parte da nossa vida em sociedade e não lidar com isso, ou lidar como se fosse um inimigo mortal só afasta as crianças da gente. Daí que você vai sempre perceber que ao falar de brincadeiras envolvendo tecnologia, nunca deixamos de levar em conta que este blog e nossa proposta para você é de tempo junto com seu filho.

Mas independentemente da nossa visão, também conversamos com especialistas em desenvolvimento infantil de várias vertentes de estudo, inúmeras escolas de saber para que você tenha uma “segunda opinião”. Conversamos, por exemplo com a pediatra Dra. Ana Escobar sobre o assunto. Veja a opinião da consultora de veículos como a revista Crescer e o programa Bem Estar da Rede Globo.

Então tá. Fazer o quê com a tecnologia?

Desta vez, fomos conversar com a advogada uruguaia, Dra. Flávia Meleras, atuante no Brasil em Direito Digital e Direitos Autorais e da Imagem, pós-graduada em Direito Informático e PHD em Direitos Atuais na Internet (as duas na Universidade Complutense de Madrid, Espanha), facilitadora de professores no ensino de Novas Metodologias de Ensino mediante Tecnologias do “Instituto Crescer” (Brasil), membro efetivo da Comissão Permanente de Estudos de Tecnologia e Informação do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), ex-consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento na área de Proteção de Dados Pessoais.

Foto_Flavia

Flávia tem um projeto que trabalha com escolas brasileiras, mostrando aos professores e educadores formas de usar a tecnologia como facilitadora do ensino e de que forma tratar o assunto da segurança e do bom uso da tecnologia e da internet com as crianças.

Neste primeiro trecho da entrevista, Flávia explica que atualmente a discussão não é mais sobre apresentar ou não a tecnologia para as crianças. Mas quais são os limites e como nós adultos temos que lidar com nosso papel de responsáveis também pela tecnologia mostrada a nossos filhos. Vale à pena assistir.

“Não existe tecnologia ‘do bem’ ou ‘do mal’. Há benefícios”, afirma Flávia. E ela explica neste trecho que benefícios são estes.

E aqui o alerta. Já que tem benefícios, quais são os cuidados que temos que observar e quais as consequências que as crianças terão a partir de um mal uso, sem limites. Sabia que a hiperatividade, a dispersão e o imediatismo podem estar relacionados a isso? Assista

2 anos, 13 anos ou 18 anos

E fiz, então a pergunta que muitos nos fazem, sobre a idade que as crianças podem iniciar o contato com a tecnologia. Algumas instituições de saúde infantil e sociedades de pediatria tendem a seguir a orientação de nada de tecnologia antes dos 2 anos. Nem todos nós conseguimos este feito e alguns avançam este limite zero para 3, 4 ou 5 anos. Outra especialista no assunto, a também advogada de direitos de imagem e segurança na internet, Dra. Ivanice (Kika) Teixeira, é de opinião que as crianças estarão prontas quando mostrarem interesse pela tecnologia. Entretanto, isto também depende do quanto nós adultos usamos a tecnologia na frente das crianças.

Porque as crianças aprendem por imitação. E se elas nos vêm o tempo todo no celular, computador, tablet, smartphone, qual é a lógica? A lógica é querer também. Afinal, se papai e mamãe usam tanto, deve ser mega legal. Mas assista o que a Dra. Flávia tem a dizer.

Eu fui uma criança que teve a televisão como babá eletrônica e sei bem como isso pode nos afetar na vida adulta. Daí que sempre tenho a questão: será que as tecnologias de hoje são tão diferentes da televisão da minha época? Esse papo todo não está exagerado, já que outras gerações de crianças, que hoje são adultos viveram o mundo da TV, Atari, Nintendo? Eu achava que não, mas do mesmo jeito que a tecnologia evoluiu, outras diferenças apareceram. A principal é o imediatismo.

Mas eu acredito em discussão com algum resultado ou solução no final do papo. A advogada especialista em internet nos fala de várias alternativas à tecnologia e dá dicas de como mesclar as atividades. Por exemplo, construir com blocos e construir seu próprio game. Em tudo, a palavra-chave é tempo junto. Ou seja, a tecnologia não é algo que sirva para distrair as crianças enquanto estamos fazendo outra coisa. Ela precisa aparecer no momento que temos para brincar e estar junto com as crianças.

A Rua Digital

Um exemplo simples comparativo que a Flávia usou para explicar os cuidados que temos que deixar claro para nossos filhos na internet é a rua. Eu amei a comparação. “O que você não faria na rua, você não faz na internet”, ela conta. “Você deixaria seu filho de 3 anos sozinho na rua? Então não o deixe também na internet”. “Você colocaria esta foto num outdoor na rua? Então não coloque na internet também”. Neste trecho da entrevista a especialista explica melhor este conceito e fala sobre formas de agir quando percebemos que nossos filhos usaram indevidamente a internet.

Para finalizar nossa extensa, mas muito proveitosa entrevista, pedi à Flávia que reforçasse as principais sugestões para você e seu filho terem juntos uma relação saudável com a internet e as tecnologias que estão aí. Se você não viu os outros vídeos, este aqui é fundamental.

Queria muito conhecer sua opinião sobre este assunto. Deixe aqui um comentário e a gente bate um papo. Outra coisa, sabe que temos uma newsletter que traz a você tudo o que tem de novo no Tempojunto – inclusive entrevistas legais como esta – semanalmente no seu e-mail? A inscrição é gratuita.

1 comentário

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    'Por que brincar é importante' na opinião de 7 especialistas

    […] Aqui, Flávia fala sobre a relação direta que a brincadeira tem, hoje em dia, com os recursos tecnológicos. Ela explica que atualmente a discussão não é mais sobre apresentar ou não a tecnologia para as crianças. Mas quais são os limites e como nós adultos temos que lidar com nosso papel de responsáveis também pela tecnologia mostrada a nossos filhos. Flavia ressalta o fato de que as crianças aprendem por imitação. E se elas nos vêm o tempo todo no celular, computador, tablet, smartphone, terão mais propensão a desejar esses recursos na hora da brincadeira. Leia a entrevista completa aqui. […]

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