A importância do brincar é percebida pela gestão pública


Quando a Patricia Marinho participou do Programa de Liderança Executiva do Núcleo de Ciência pela Infância ela trouxe para o Tempojunto uma informação que soou nova e muito boa para mim: há, sim, projetos na área de gestão pública voltados para o desenvolvimento na primeira infância (de 0 a 6 anos).

Na entrevista que fizemos com a especialista Anna Chiesa, ela citou algumas destas iniciativas. “O Mãe Coruja Pernambucana, Família que Acolhe (Boa Vista), Arapiraca Garante a Primeira Infância, Cresça com seu Filho (Fortaleza) e São Paulo Carinhosa, entre outros, mostram que as instâncias governamentais estão abraçando a causa da primeira infância. Esta chamada para a importância de criar espaços públicos e regular do ponto de vista de políticas públicas as necessidades da primeira infância está acontecendo e será notada em futuras pesquisas sobre o assunto”, conta a especialista.

Por isso resolvemos conversar com uma destas gestoras que vê a importância de os governos valorizarem o desenvolvimento da criança para formar os cidadãos do futuro. Teresa Surita é prefeita de Boa Vista (Roraima) e está à frente do Família que Acolhe, que funciona a partir de um cadastro único da mãe. A criança que participa do Família que Acolhe recebe atenção integrada nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento social. Ela e sua família são acolhidas ainda no período da gestação e acompanhadas até os 6 anos de idade.

Teresa sabe que além do governo é preciso que a sociedade entenda a importância da primeira infância para que desta forma também ajude a criar a pauta nos governos para este assunto.

De maneira inovadora, o FQA desburocratizou ainda o acesso à educação, pois antes mesmo do nascimento, a criança já tem sua matrícula garantida em creches e escolas da rede municipal. Em 2014, foi reconhecida nacionalmente como exemplo de política integrada para a Primeira Infância e Boa Vista considerada uma das pioneiras nesse tipo de investimento. Mas no início, não foi tão simples fazer as pessoas compreenderem que um programa social para a primeira infância deveria ser mais que dar um enxoval.

Os resultados deste processo diário de conversa com as mães tem sido muito bons.

Os pais estão presentes na vida dos filhos

A experiência da prefeitura de Boa Vista tem mostrado que ao tomar o conhecimento da importância da primeira infância, as pessoas respondem positivamente, se interessam e agradecem. Um público que se destaca é a mãe adolescente. O projeto tem sido bem sucedido em despertar a responsabilidade da mãe pelo filho ainda durante a gravidez. Cientes da importância de como o bebê será cuidado e quais vínculos serão feitos nos primeiros 3 anos, as mães se preparam melhor para este momento.

“Claro que ainda funciona muito na base da troca. Ou seja, nosso enxoval tem um berço. Mas para ter este berço a gestante precisa completar o pré-natal. A criança que nasce tem vaga garantida na creche municipal, mas a mãe precisa continuar a fazer parte do programa”, conta.

Trazer o pai para o Família que Acolhe também é um fator de relacionamento entre a prefeitura e a família. Mesmo que a grande maioria das 4.100 atendimentos seja para mulheres. Isso porque o projeto começou atendendo as mulheres cadastradas no Bolsa Família, as adolescentes grávidas e as encarceradas, casos em que a figura do marido muitas vezes não existe. Mas houve uma exceção. Veja que exemplo emocionante.

A participação do pai no Brasil como um todo ainda é aquém. “Há algo cultural até que coloca a mulher como a que vai gerar a criança e, por tanto, deverá cuidar dela sozinha”.

A importância da brincadeira neste processo

Teresa é avó e faz um paralelo entre a sua infância, com uma mãe amorosa, mas que desconhecia a importância do desenvolvimento na primeira infância e a relação agora com os netos.

A prefeita esclarece como a brincadeira faz parte do programa Família que Acolhe.

Com toda esta experiência, Teresa pode afirmar “Brincar é se preparar para a vida”.

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