A importância de brincar: jogos para brincar até a idade adulta


“A brincadeira é boa e anti-estressante até para o adulto”. Foi por conta desta afirmação, que fui conversar com os irmãos André e Silvia Zatz para este post da série Importância do Brincar do Tempojunto. Na verdade, eu os conheci como autores do livro Brinca Comigo! Tudo sobre brincar e os brinquedos, escrito também por Sergio Halaban.

Mas da primeira proposta de entrevista, para conversar sobre o conteúdo da obra, percebi que poderíamos ter 3 assuntos em 1: sobre o livro; sobre livros brincantes, já que Silvia Zatz se tornou escritora de livros infanto-juvenis; e sobre jogos como brincadeira para todas as idades, incluíndo nós adultos, pois André dedica-se à criação de jogos de entretenimento e corporativos.

Então vamos por partes.

O B-A-Bá para entender a brincadeira

Quando eu comecei a escrever para o Tempojunto, senti a necessidade de estudar e pesquisar mais informações sobre o brincar e sua importância na vida das crianças. Um dos livros que encontrei foi o Brinca Comigo! Eles contam neste trecho da entrevista que decidiram fazer o livro porque tinham um projeto de criar uma loja de brinquedos que fosse diferente. A pesquisa feita por eles sobre os brinquedos, como as crianças interagem com eles, os tipos de brincadeiras e todo o universo do brincar, foi o subsídio para o livro. “Quisemos escrever para os adultos, pais , tios, avós e quem mais tivesse uma criança perto”, conta André.

Entrevista Andre e Silvia Zatz - foto entrevistados

Eles entendem que à época do lançamento do livro, em 2006, ainda não havia tanta consciência sobre a importância de estudar sobre o brincar. Mais do que isso, como eles têm experiência com produção de jogos, percebiam que a escolha dos brinquedos feita pelos pais nas lojas poderia ser uma experiência melhor para ambos. “Temos a tendência de, por exemplo, comprar brinquedos indicados para uma idade acima da do seu filho. Isso pode frustrar a criança na hora de brincar”, conta Silvia.

O livro acabou se tornando uma referência no mercado, inclusive de especialistas, para a escolha de brinquedos para crianças. “O livro foi uma oportunidade de expansão sobre outros universos e possibilidades de brinquedos, além da minha especialidade, que são os jogos”, conta André.
Neste outro trecho da entrevista, Silvia conta sobre como a brincadeira é essencial para a criança.

Um dos capítulos que chamou minha atenção no livro é o capítulo sobre a escolha de um brinquedo na loja. Em geral, nós pais, eu mesma incluída, escolhemos aleatoriamente o brinquedo na loja – para os nossos filhos ou para dar de presente – tomando como base o que está na moda, ou o personagem de desenho ou filme que mais têm conquistado as crianças. Entretanto, visitando já duas Feiras Internacionais do Brinquedo, eu percebi que um mesmo personagem pode estar em um quebra-cabeças, em um jogo, na forma de boneco ou de fantasia. E daí, volta nossa escolha mais embasada no conjunto preço X pressa de comprar X impressão que eu quero passar do que por fatores que sejam relevantes na relação da criança com o brinquedo.

Neste trecho da entrevista, Sílvia e André nos dão dicas bem legais para ajudar na equação da escolha de um brinquedo.

Jogos e suas soluções para crianças e adultos

Nossos dois entrevistados acumulam juntos quase 40 anos de experiência na área de desenvolvimento de jogos para brincar e as funções dos jogos para crianças e adultos. “Certa vez vi uma entrevista que jogos são bons para crianças a partir de 3 anos porque eles já não engolem as peças. Se não fosse isso, haveria jogos para crianças menores ainda”, conta André. Ele também explica que a extensão dos jogos é muito ampla. Claro que para crianças menores, os jogos são mais mecânicos, em que puxa algo, cai outro; enquanto para maiores, um jogo de estratégia pode ser mais interessante, ou um jogo de risadas, como a mímica. “Os jogos não só acompanham a idade, mas o perfil de cada pessoa e o momento em que se esteja na hora do jogo”, completa.

Silvia acrescenta que não há jogo educativo. “Simplesmente porque todos os jogos são educativos, já na sua essência de respeitar regras, entender a sua vez, se comunicar com o outro, independentemente do tema que aborde, já contribui para o desenvolvimento”.

Os irmãos descrevem os tipos de jogos que podemos ter e os benefícios deles para o desenvolvimento das crianças.

Como você viu, o jogo é uma excelente forma de brincar com seus filhos quando eles crescem e também quando já chegaram na adolescência e a “brincadeira” já não faz tanto parte do dia a dia com eles. Eu conheci a história de um pai, por exemplo, que fez do jogo de tabuleiro o ponto de encontro às segundas-feiras com os filhos adultos, inclusive para falarem da vida em família, das relações entre eles e dos negócios que geriam juntos.

O adulto também brinca

“Adulto gosta de brincar, mas às vezes esquece disso”, afirma André, lembrando que os sobrinhos costumam dizer a ele que é o único adulto que conhecem que brinca. “O lúdico é inato do ser humano. Quem não brinca ou não encontrou uma forma de brincar, seja um futebol, um jogo, um game, tem uma vida muito chata”. Ele explica no trecho abaixo o que a brincadeira traz de benefício também para nós, adultos.

Como o André é especialista em promover jogos e atividades lúdicas para o adulto no mundo real, nada mais óbvio que perguntar a ele como tirar os adultos das telas. Afinal, a gente quer tanto que nossos filhos fiquem menos tempo nos celulares, tablets e internet, mas o exemplo também deve ser nosso. Olha as dicas boas que ele nos dá.

No final, nossa pergunta de sempre para todos os entrevistados aqui do Tempojunto: Brincar é…

Mas esta entrevista não parou por aqui. Porque a Silvia também é autora de livros infanto-juvenis, como O Clube dos Contrários, O Por que dos Porquês, Meu Bisavô e o recente A Mão Livre do Vovô e o depoimento dela sobre a leitura e os livros como brincadeira ficou tão legal, que vamos publicá-lo semana que vem, num “Importância do Brincar” extra. Não perca!

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