Como conhecer melhor seu filho observando ele brincar


Muita gente se pergunta como conhecer melhor seu filho. Eu me incluo nesta estatística. Pessoas são de uma maravilhosa complexidade e é realmente uma arte e um privilégio podermos conhecer melhor o outro. E com nossos filhos, então, nem se fala.

Desde que estão em nossos braços pelas primeiras vezes, a gente se esforça para entender o que cada choro quer dizer. E as caretas? O balbuciar? Estamos sempre querendo compreender quem é este pequeno ser humano que amamos tanto. É por isso, inclusive, que não há receitas prontas para a educação das crianças.

Pois uma das chaves de ouro para conhecer melhor seu filho é por meio da brincadeira. De observar e de participar da brincadeira. Esta afirmação não é minha, mas da psicóloga Patricia Garcia, na primeira (e muito esclarecedora) entrevista que fizemos aqui no Tempojunto sobre a importância do brincar para as crianças.

Miradas e observações para conhecer melhor seu filho

Recentemente, a educadora e documentarista Renata Meirelles (Território do Brincar) lançou um novo trabalho, o filme Miradas. A Renata também já esteve antes por aqui no Tempojunto para falar sobre brincar e a brincadeira livre.

Entretanto, desta vez, Renata trouxe com Miradas um aspecto que eu desconhecia de observar fatos, que ela levou para o brincar, e nós trouxemos para a dimensão de pais e filhos no dia a dia. O processo se chama fenomenologia. E ao conversarmos sobre o assunto, a Renata trouxe algumas reflexões que só confirmaram a importância de aprendermos a conhecer melhor nossos filhos.

“Sabemos mais o que a sociedade está dizendo, e menos sobre o que nossos filhos estão nos dizendo”. Ai! Confesso que doeu. E ela completa “Quem tem que saber sobre seu filho é você, e não tudo o que todo mundo acha que sabe”.

Óbvio que a Renata não está desvalorizando tudo o que se sabe atualmente sobre infância e educação das crianças. Mas ela alerta para a importância do nosso olhar sobre tudo isso, com nossos filhos no foco.

O filho que idealizamos e o filho que temos

No filme Miradas, disponível para exibição pelo Videocamp, educadores são convidados a simplesmente observar grupos diversos de crianças brincando. E refletir sobre aquelas crianças a partir dos fatos que enxergam, e não sobre pré-suposições educacionais.

Obviamente, uma coisa é o trabalho de pesquisa para o documentário. Outra é o nosso dia a dia com os filhos. Mas este viés da fenomenologia (de partir de fatos observados, e não de teorias), pode ajudar a conhecer melhor seu filho. Quem ele é de verdade, e não o filho que geralmente a gente imagina, fantasia, projeta.

“A fenomenologia não é de especialistas, mas é de todos. E ela nos dá a liberdade de criar a sua observação. Porque ela é uma conversa entre você e o que você observa e te dá um caminho de conhecimento. Não é uma resposta pronta. As respostas que surgem parte de você e não de uma teoria que vem de fora”, explica Renata.

Esta autonomia de observação serve para qualquer público e para os pais e seus filhos. Mas a gente não está aqui querendo que você se torne um expert em fenomenologia. Nem o Miradas. O chamado aqui é para o fato que observar seu filho brincando, sem pré concepções, mas somente e realmente estar lá presente observando, vai te ajudar a conhecer melhor o seu filho.

Porque a brincadeira é a forma como as crianças se expressam da forma mais pura e clara possível. Ouça o que explica a Renata:

Ter a palavra sobre seu filho sem culpa

Tem gente que tem muita informação, mas estão alheias ao que está dentro do filho. “Quando é que estas pessoas passarão a escutar mais o filho que o que os outros dizem sobre ele?” Questiona Renata. “Ao conhecer melhor seu filho, você cria tanta consciência sobre ele, que você pode dizer para a sociedade ‘meu filho não precisa disso’, completa a educadora.

E eu completo mais ainda, que é libertador a gente poder dar a palavra final sobre nossos filhos, sem culpa. Certo?

“Só de observar o fato concreto, sem análise, você já vai saber mais sobre a criança. Nem que seja saber do que ela brinca, quando ela prefere brincar e em que momento deixa de gostar de uma brincadeira por outra”, explica Renata. Ouça.

Como todo final de entrevistas aqui no Tempojunto, a educadora completou a frase: “Brincar é…” “Eu não gosto muito de deixar rotulado, porque parece que resume demais”, ela começa.

“Brincar é a expressão máxima da potência das crianças”.

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