Quando a criança usa o desenho para contar história

Quando a criança usa o desenho para contar história


Eu comecei a dar giz de cera para a Gabi desenhar quando ela tinha cerca de um ano e dois meses. Conto essa experiência no post Quando o bebê pode começar a desenhar. Desde então, o tempo passou e ver os desenhos dela são uma maneira de acompanhar o seu desenvolvimento. Agora, com 3 anos e meio, já consigo ver o momento em que a criança usa o desenho para contar história. Coisa mais linda de se testemunhar!

Dos rabiscos à representação do real

Quando a criança pega um giz pela primeira vez, ela não tem nem coordenação motora e nem entendimento de mundo suficiente para fazer um desenho que seja uma representação do mundo real. Eu encontrei um texto ótimo no Blog Desenvolvimento Infantil que fala justamente sobre a importância do desenho nos primeiros anos de vida.

Nesse texto, que traz íntegra do texto da página 20 à página 22 da apostila Módulo 1, Aprendizagem e Neurodiversidade – como o aluno aprende?, do Instituto ABCD, eles explicam o seguinte:

De um a dois anos, as crianças fazem o que os especialistas chamam de garatujas desordenadas, os famosos rabiscos. Nessa fase “a criança não tem consciência de que o risco é a consequência de seu movimento com o lápis. Não olha para o que faz, segura o lápis de várias maneiras, com as duas mãos alternadamente. Todo o corpo acompanha o movimento enquanto faz o desenho. Faz figuras abertas (linhas verticais ou horizontais) em movimentos de vai e vem”.

A partir dos 2 anos– garatuja ordenada: a criança descobre a relação traço-gesto e se entusiasma. Passa a olhar o que faz, tentando controlar o tamanho, a forma e a localização no papel, variando as cores intencionalmente. Começa a fechar suas figuras de forma circular ou espiralada.

A partir dos 3 anos – garatuja nomeada: representa intencionalmente um objeto concreto, através de uma imagem gráfica, passa mais tempo desenhando. Distribui melhor os traços pelo papel descrevendo verbalmente o que fez e começa anunciar o que vai fazer. Alguns movimentos circulares associados a verticais começam a dar forma à figura humana. A cabeça é desenhada maior do que o restante do corpo.

Dos 4 aos 6 anos – pré- esquemática: começa a descoberta da relação entre o desenho, o pensamento e a realidade. Quanto aos espaços, os desenhos são dispersos inicialmente, não relacionados entre si. A representação da figura humana evolui em complexidade e organização – aparecem lentamente os braços, as mãos, os pés, muitas vezes com vários dedos radiados, às vezes o corpo aparece. A criança desta fase não consegue organizar graficamente um todo coerente. Os objetos são desenhados de forma solta e a relação entre eles é subjetiva. Em relação à cor, a escolha é subjetiva e ligada às emoções do que está sendo vivido.

Pois bem, a Gabi está com 3 anos e consegue fazer as garatujas nomeadas. Seus desenhos começaram a contar histórias desde o dia em que o papai sentou com ela para desenhar e usou essa técnica para fazer uma contação de história para a Gabi. Se quiser ver como foi, dá uma olhada no vídeo abaixo.

Desde então, a Gabi resolveu que desenhar para contar uma história era uma boa ideia. E me chamou para contar uma. Para ajudar, dei para ela uma cartolina branca. Assim o espaço útil para desenhar seria maior.

Ela disse “era uma vez uma menina que tinha um cabelo muuuuuito grande”

Quando a criança usa o desenho para contar história_0209_0210_montagem-gabi-desenhando

“Um dia estava fazendo muito sol e ela foi passear com a mamãe dela”

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(detalhe da mamãe, com rosto, cabelo, pernas e pés)

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“Elas chamaram o papai para ir também”

Quando a criança usa o desenho para contar história_0263_desenho final

E daí ela contou sobre as brincadeiras que eles fizeram na pracinha. Não é demais? Nessa hora, o meu papel foi de seguir conversando e fazendo perguntas para esticar ainda mais a brincadeira.

Fico tão feliz de testemunhar esses momentos e perceber como as minhas crias estão evoluindo!

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2 comentários

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  1. 1
    Sandro Rodrigues

    Muito legal essa dica. Mais legal ainda foi descobrir que é justamente dessa forma que brinco com minha filha, qualquer que seja a atividade. Sempre alimento suas viagens, deixando com que ela crie o restante da história… Parabéns pelo site.

    • 2
      Patrícia Marinho

      Muito obrigada, Sandro, e parabéns pela forma que encontrou de ser presente na vida da sua filha!
      Volte sempre!
      Patrícia

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