Uma leitora do Tempojunto conta sua história como mãe brincante


Desde que eu abri este espaço no domingo para que outras mães falassem um pouco sobre sua experiência com os filhos, convidei mulheres-mães que eu acompanhava nas redes sociais para estarem aqui. Para minha felicidade, elas toparam e o resultado foram posts que amei publicar (tem o post da @mamaecriaebrinca e o da @maternidadesimples). Mas hoje a história é diferente.

A Roberta Marculino me escreveu dizendo que acompanhava sempre o Tempojunto e que achava muito legal essa proposta de fazer o mundo mais brincante. Esta mãe brincante queria ajudar de alguma forma. Mãe como eu, ela é psicopedagoga e está se especializando no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro de Autismo (TEA). Resolvi, então, convidar a Roberta, uma leitora nossa para escrever neste dia das mães. Curti muito o resultado!

Obrigada, Roberta!

Uma mãe brincante - depoimento de leitora do Tempojunto Roberta

“Sou mãe da Dara Maria, de 5 anos, e desde bebê brincamos juntas sempre no fim do dia, após chegar do trabalho. Quando estava de licença maternidade brincava muito mais, durante todo dia, e, confesso, sinto muita falta desses momentos.  Durante os primeiros meses dela, eu brincava a partir de músicas infantis, com jogos que exploravam os sentidos, por meio de diversas texturas, com botões que acionava sons diferentes. Sempre lia livros com essas características de contação de história, algo que ela ama até hoje.

Conforme ela cresceu, as brincadeiras foram mudando. Ficaram mais ricas a partir da própria maturidade da Dara. Ultimamente ela tem gostado de brincadeiras de faz de conta e costuma reproduzir uma família onde na maioria das vezes ela é minha mãe (kkk). Aos finais de semana é tradição irmos ao parque toda a família e até piquenique já fizemos lá.

Uma mãe brincante - depoimento de leitora do Tempojunto - piquenique com a familia

Por ser pedagoga, percebi logo na graduação a importância do brincar e como uma simples brincadeira pode auxiliar na aprendizagem da criança. Pelo brincar a criança explora o espaço que esta inserido, a relação entre os movimentos, ações e pensamento. E assim também inicia seu processo de identidade, a sua imagem de corpo, que depende muito de sua história de vida, dos limites, capacidades ou não, e tudo isso influencia a autoestima da criança.

Costumo dizer que, desde o ventre, brinco com Dara, cantando muito para ela e contando histórias, reproduzindo onomatopeias dos personagens e tudo mais que papais de primeira viagem fazem tão bobos com aquela novidade.

O trabalho com TEA

Até pela experiência no meu trabalho, com certeza podemos afirmar que a brincadeira é uma atividade totalmente inclusiva. Pela brincadeira, pelo brinquedo, as pessoas se atraem.  Crianças e adultos, independente da origem ou situação. O brincar é o meio pelo qual chegamos mais próximo da criança e assim não há diferenciação, pois o brincar é inato da criança.

Para criança com TEA é fundamental a rotina em sua vida, a organização do tempo e atividades. Então algumas vezes o brincar deve ser inserido a partir de uma atividade da rotina familiar, com hora e tempo marcado.

Mas, nunca devemos esquecer a função do brincar, que é um momento lúdico, de diversão e lazer.  Quando a criança autista tem irmão, isto é ótimo, pois há uma parceria para o momento do brincar, a estimulação aumenta e a troca será um grande despertar para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças com TEA, como também as crianças típicas.

Um ponto que as crianças autistas necessitam de uma intervenção de estimulação é com relação ao simbolismo, pois não conseguem ter noção do que é abstrato, e através de brincadeiras direcionadas, trabalhamos esta dificuldade, como por exemplo usar o faz de conta e contação de história utilizando fantoches.

Apelo em prol da brincadeira

Gente, a brincadeira faz diferença no desenvolvimento da criança. O movimento, as ações na integração no momento do brincar, as explorações das funções psicomotoras utilizadas intensamente, e dessa forma o desenvolvimento do motor e a formação do sistema nervoso são todos exemplos de como a brincadeira contribui para a formação da criança. A psicomotricidade foi algo muito explorado nas brincadeiras minhas com Dara desde bebê e hoje já percebo suas destrezas não só no motoras, mais também na organização, coordenação, oralidade, atenção e percepção.

Uma mãe brincante - depoimento de leitora do Tempojunto - mamae e filho

Para brincar não há métodos, a todo momento a criança quer brincar, mesmo com pouco tempo podemos criar momentos deliciosos de brincadeiras. Então vamos aproveitar! Seja no caminho para escola, na hora do banho ou até mesmo durante a escovação dos dentes.

Observando a criança iremos saber seus gostos e aptidões, pois na maioria das vezes são elas que dão o primeiro passo e nós pais não precisamos elaborar tanto uma brincadeira. Que tal, papais resgatarem as brincadeiras e brinquedos da sua infância dando uma roupagem nova e apresentar para os filhos?!

Minhas dicas

Uma brincadeira que Dara ama brincar desde os dois anos, e que também utilizo em meus atendimentos é montar circuitos com bambolês espalhados no chão, de acordo com a idade aumentamos o grau de dificuldade, tipo pular dentro dos círculos, com um pé, com os dois, com a mão na cabeça, com os braços abertos e assim vai… Se não tiver o bambolê pode desenhar no chão círculos, triângulos, quadrados o que você quiser!!

Uma mãe brincante - depoimento de leitora do Tempojunto - Dara

Outra sugestão bem legal e divertida: Você pode brincar com a família toda. Eu utilizo sempre em percursos longos de carro. Tudo começou com uma indicação de Dara, que batizou a brincadeira de “ADVINHAS” ( mesmo sendo uma brincadeira antiga, mas foi ela que criou e até as regras ela explicou).

O jogador da vez irá escolher um tema que pode ser animais, nome de alguém da família, objetos e falar três características. Os outros participantes ao ouvirem as características devem tentar adivinhar o que o líder está pensando. Quem conseguir adivinhar será o próximo a escolher o tema e iniciar outra rodada. Com crianças maiores que já sabem escrever, podemos utilizar folhas ou o tablet para explorar a produção da escrita, usar imagens e palavras em fichas.

São duas formas de garantir diversão tenham certeza!!

Ah, as duas brincadeiras podem sim ser utilizadas também com crianças com TEA.

Um beijo a todos. Roberta”

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