Shantala: estímulo sensorial para o bebê desde o primeiro mês


Um domingo por mês a gente traz aqui uma conversa com especialistas em atividades e estímulos com bebês. Tem muita coisa que eu e a Patcamargo não fazemos diretamente com as crianças justamente porque somos mães e precisamos nós também aprender com quem sabe.

Desta vez, conversamos com a Denise Gurgel*, fisioterapeuta materno infantil, especialista em Shantala (desde 2002), consultora do sono de bebês e crianças, instrutora de shantala para bebês e formada pela IMI – International Maternity and Parenting Institute Califórnia.

No seu site Curso de Shantala, ela explica que a técnica é simples, porém profunda! É realizada no silêncio e falamos somente o necessário para entreter a criança. É o toque na pele que deve ser explorado.

“A massagem promove o equilíbrio físico, emocional e energético para o bebê, aliviando cólicas e emissão dos gases (para os bebês que têm prisão de ventre), regulando o sono e estreitando os laços com a mãe e com o pai”, explica Denise ao longo da nossa conversa. “A atividade ainda estimula a resistência imunológica, amplia a respiração e melhora a expectoração, diminui o estresse e ajuda a criança a conhecer o corpo e a passar melhor por todas as fases motoras (rolar, sentar, engatinhar e andar).”

Para quem desconhece a técnica, a Shantala geralmente é realizada com o bebê sem roupa, deitado sobre as pernas estendidas da mãe (ou pai), num local tranqüilo e aquecido. Utiliza-se óleo de preferência vegetal para facilitar o deslizamento das mãos.

A massagem dura de 10 a 20 minutos. “A partir de 1 mês de vida os bebês já podem receber Shantala”, conta a especialista. Mas é preciso alguns cuidados aqui. Na verdade o ideal é que o bebê já tenha se acostumado com estímulos externos. A gente pode perceber isso quando ele deixa de ter os movimentos reflexos que parecem um pequeno espasmo, como os que temos quando achamos que vamos cair da cama.

Por isso, particularmente com bebês prematuros, a sugestão é que a shantala comece um pouco mais tarde. “Por outro lado, pode-se iniciar Shantala em qualquer idade e não tem idade para parar”, afirma Denise.

“Conversar” com a pele

Segundo Frederick Leboyer, obstetra francês, que trouxe esse presente para o nosso continente, “é preciso conversar com a pele do bebê, que tem sede e fome como sua barriga”.

Este toque amororso é memorizado pela pele, que reage positivamente ao carinho no futuro. Para exemplificar melhor a importância do toque, Denise conta uma experiência que ela e alguns dos seus alunos tiveram em uma ONG que funciona como abrigo para crianças em São Paulo. Veja neste trecho da entrevista, como a shantala ajudou as crianças a transformarem a memória que a pele tinha da agressão, para a confiança e prazer do carinho de um adulto.

Os benefícios que essa massagem proporciona são diversos, entre eles a sensação de bem estar e calma. Ao receber o ‘toque’, o bebê sente-se mais seguro e acolhido. Os estímulos que eles recebem através do toque, produzem endomorfinas, hormônios neurológicos que reforçam sensações de amor, calor, amizade… um verdadeiro ato de amor! “No fim”, Denise continua, “as crianças faziam fila para receber a massagem e as que tinham mais reistência no começo queriam repetir a shantala mais vezes ao dia.”

O especialista francês Leboyer enfatizava a importância de quem vai aplicar a massagem, de estar 100% onde se está, prestando a atenção no seu bebê, mantendo o olhar em seus olhinhos, e a mãe e o coração juntos!

E na opinião de Denise, este contato é uma das melhores retribuições ao seu trabalho. “Ver os pais descobrindo mais sobre o seu filhote na hora da massagem, escutar os gritinhos felizes e o sorriso do pequeno na hora da Shantala é mágico! Parece que tudo está no seu lugar e vejo uma família nascendo e feliz! É mágico!” Neste trecho da entrevista, ela fala sobre a relação do pai com a massagem e com o cuidado do bebê.

Então, lembre-se: a hora reservada para aplicar a shantala, é hora de ambos estarem juntos, olho no olho, toque a toque!

A massagem consiste em movimentos lentos, suaves compressões e alongamentos passivos por todo o corpo do bebê, seguindo o caminho energético de cima para baixo e de dentro para fora.

A Patcamargo fez a Shantala com o Pocoyo, a Cururuca e a Potchochenca quando eram pequenos. Ela seguia a rotina descrita no site Bebe.com.br da Editora Abril.

No final da entrevista, Denise reforça a importância do toque amoroso na criança desde o início da vida

Se você quer se aprofundar mais sobre o assunto, a fisioterapeuta indica o livro Tocar, o significado humano da pele.

Já deu para perceber que a shantala, ou mesmo o toque instintivo no bebê é um excelente tempojunto, não é? Então bóra fazer?

 

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Denise Gurgel*
“Comecei o trabalho com Shantala através do tratamento clínico que realizava para a criança deficiente e aquelas que apresentavam atraso no desenvolvimento motor. Achei na Shantala uma forma magnífica de estimular o conhecimento da criança sobre o próprio corpo (consciência corporal) e aprofundei os estudos para todas as crianças. Apaixonada pela massagem divulgo os benefícios da técnica, tão sutil e única, mostrando que é possível oferecer aos bebês e crianças, uma experiência corporal que refletirá intensamente no seu desenvolvimento de forma integral.”

Fotos: Laudiane Lira e Vanessa Atala

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