Importância do Brincar: Márcio Coelho – Cantar está deixando de fazer parte do desenvolvimento do bebê


Faz tempo que eu queria conversar com o músico Márcio Coelho* por conta de seu trabalho musical com as crianças. E quando finalmente conversamos percebi que além de músico, Coelho é um estudioso da ação do cantar para o desenvolvimento infantil. Então nossa conversa mudou um pouco de caminho.

Quando eu pergunto sobre como os pais podem aproveitar a música para ajudar a desenvolver seus filhos, ele inicia a resposta com uma notícia triste: o cantar está deixando de fazer parte do relacionamento entre pais e filhos, mesmo bebês. Dá uma olhada:

Os especialistas em desenvolvimento infantil afirmam em unanimidade duas coisas. A primeira é que o período mais fértil do desenvolvimento infantil acontece entre 0 e 3 anos (a chamada primeiríssima infância), que também é o momento em que a criança cria os primeiros vínculos com o adulto que cuida dela. A segunda afirmativa é que a voz da mãe é o som que o bebê mais gosta e mais se sente seguro nos primeiros meses de vida. Daí a relevância das canções de ninar, por exemplo.

Mas se o pai ou a mãe se sentem desconfortáveis com o cantar, há alternativas.

Quem quer pagar mico

Complementando seus trabalhos no Brasil, Coelho faz parte desde 2003 do Movimento da Canção Infantil Latino Americana e Caribenha, que reúne profissionais da região para avaliação e compartilhamento de experiências e boas práticas. Algo que chama a atenção do músico a cada um destes encontros é a diferença cultural do Brasil em relação aos países latino-americanos e caribenhos quando o assunto é a música para crianças. “Fora daqui, se ouve música para crianças até 12 ou 13 anos. Eles também até esta idade brincam de roda ou danças circulares (como quadrilhas e danças típicas). No Brasil, isto é pagar mico”, resume.

Importância do Brincar Márcio Coelho - marcio coelho

O que seus filhos ouvem por aí

Como qualquer outra coisa, a família é o primeiro reduto de aprendizagem cultural da criança. São os pais em geral que mostram os primeiros gêneros musicais para seus filhos. Mas e nas escolas? Tem-se popularizado e faz parte do currículo de um percentual alto de escolas particulares a aula de música ou musicalidade desde o berçário. No caso das escolas públicas há uma lei de diretrizes e bases que determina a música como parte do currículo escolar. Mas na visão de Coelho, que já foi professor de música em escolas, a realidade está aquém do que poderia ser.

A “santa” Galinha Pintadinha

Sim, eu usei. Sim, meus filhos assistiram, dançaram, curtiram a Galinha Pintadinha até pouco tempo. Sim, eu também achava legal. Se você está a fim de me atirar uma pedra, entre na fila rsrsrsr. Salvação da lavoura de muitas famílias, este fenômeno virou também sinônimo de “que absurdo!” ou “como você faz isso!”. Muito nariz torcido e alguns olhares enviesados talvez possam fazer você (como eu) citar a Galinha no último lugar de uma lista de músicas que você diz que apresenta para seu filho. Antes tem que ter Palavra Cantada, Barbatuques, Adriana Partimpim, Toquinho, e por aí vai. Nada contra todos estes músicos incríveis e, sim, meus filhos ouvem todos estes também (mais ainda agora, que já deixaram de serem bebês).

Então, eu perguntei para o Márcio Coelho. Afinal, qual a diferença entre “Ciranda Cirandinha” interpretada pela Galinha Pintadinha e interpretada pelo Palavra Cantada. Não é a mesmíssima música? Como a gente define, então uma música para crianças ruim? Dá uma olhada na resposta.

E aí? Te convenceu?

Educar no dia a dia

E se você ainda tem dúvidas de ligar o rádio ou colocar um CD para tocar e aproveitar os momentos de brincadeira para dançar, formar uma bandinha (em casa tem, pelo menos uma vez por semana), ouça este trecho da entrevista em que o Márcio explica como a música foi a tração para ele aprender, estudar e desenvolver seu conhecimento em outras áreas.

Para encerrar, a minha dica de brincadeira é justamente formar uma bandinha com seu filho. Tem muito instrumento que podemos fazer com sucata ou com o que há disponível em casa. Esqueça os padrões e simplesmente faça um barulhão, seguindo uma música que vocês gostem. É bom demais!

Importância do Brincar - Márcio Coelho - banda das crianças

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*Em 2014, mesmo ano em que a dupla completou 21 anos de dedicação ao universo cancional infantil, Márcio Coelho e Ana Favaretto foram contemplados com um prêmio do Programa IBERMÚSICAS – Programa de Fomento das Músicas Ibero-Americanas – para fazerem uma turnê por cidades da América-latina. Apresentaram-se em Comodoro Rivadavia, Rada Tilly, Córdoba, Neuquén, Luján e Beratzategui (Argentina) e Medelín (Colômbia).

Nesses 23 anos, a dupla desenvolveu vários projetos e shows para o público infantil, entre eles: Histórias Cantadas (SESC-Ribeirão), Musicaria – brinquedos cantantes e tocantes (SESC – São Paulo), Curuminzada (programa apresentado na rede USP de rádio), Braguinha para Sempre (SESC-Ribeirão), Pra Ser Feliz e Brincar (espetáculo musical), A Letra Mágica (reedição para o SESC – Catanduva), além de várias apresentações em teatros e escolas do Brasil e da América Latina.
Márcio e Ana também foram Idealizadores, curadores e produtores do Encontro Internacional da Canção para criança (SESC Pompéia e SESC Ribeirão) e do Primeiro Encontro Brasileiro da Canção Infantil, quando fundaram o Movimento Brasileiro da Canção Infantil, juntamente com vários músicos brasileiros dedicados ao público infantil.

Em 2003, entraram para o MOCILyC – Movimento da Canção Infantil Latino Americana e Caribenha, a partir de então apresentaram-se em Belo Horizonte (2003), Montevidéu/Uruguai (2005), Valparaíso/Chile (2007), Medelim/Colômbia (2008), Cuernavaca e Cidade do México/México (2009), Montevidéu ( 2010), Ribeirão Preto/SP (2011), Bogotá/Colômbia (2012) e Bogotá – Melgar/Colômbia (2013).

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