Brincar na internet é coisa de adulto: entrevista com a dra. Ivanice Teixeira


No final do ano eu (aqui é a Patcamargo) acabei me envolvendo muito com o contato das crianças com a internet por conta do papo que tive com o pessoal da revista Pais e Filhos, sobre a relação das crianças com a tecnologia. E algo que me preocupou é que estamos entendendo a internet como brinquedo. Só que não é.

Sim, as crianças de hoje se conectam muito cedo, mas ao contrário do que virou hábito dizer, elas não nascem conectadas. Nós adultos é que as conectamos. Isso acontece em várias e diferentes idades, de acordo com o dia a dia e os valores de cada família. Eventualmente, as crianças irão conhecer as tecnologias, a internet, as redes sociais, os aplicativos e se beneficiarem disso saudavelmente. Não dá para viver isolado, como se estivéssemos em outro planeta, certo?

Mas a minha questão e o que trago aqui hoje é que os adultos às vezes tratam a internet como brinquedo dos filhos e os ensinam que as redes sociais e a web fazem parte do mundo do brincar. Opa! A internet é, sim, uma ferramenta, um serviço e até pode ser usada para diversão. Mas ela requer uma responsabilidade diferente de uma brincadeira. “Brincar” na internet é coisa de adulto antes de tudo. Para sabermos como é e depois ensinarmos aos nossos filhos.

Daí que fomos conversar com a dra. Ivanice Teixeira, carinhosamente conhecida como Kika, que conheceu o Tempojunto e curtiu nosso trabalho. Ela é advogada, mãe de duas meninas, de 4 e 2 anos, e se especializou em direito de imagem. E acabou trazendo isso para um trabalho super legal de orientação a pais e escolas sobre como educar seus filhos para um uso saudável da internet, da tecnologia e das redes sociais. Você tem ideia, por exemplo, de quantas fotos publica do seu filho nas redes sociais? Será que a imagem dele é nosso direito? Kika afirma que ao expor as crianças ainda bebês nas redes acabamos dando uma espécie de aval para que elas continuem se expondo ao crescerem.

Talvez eu esteja sendo radical demais. Não sei. Mas fui mais à fundo nesta conversa.

O exemplo da rua

Kika me explicou que uma regra simples, que aliás, é compartilhada pela Dra.Flavia Meleras, em outra entrevista do Tempojunto sobre tecnologia, é a teoria da rua para balizar o que postamos na web sobre as crianças. “Que foto do seu filho você deixaria no portão da sua casa para que todos vissem? Quantas fotos você colocaria lá? Com que idade você deixaria seu filho sozinho num local movimentado, como um Mercadão? Estas são as perguntas que dão base a esta teoria. Veja outras dicas.

Sem estresse, nem culpa. Mas com consciência

Então, escrevi este post sem a intenção de criar mais culpa em todos nós. Educar um filho já é um trabalho árduo por sí só. Mas a internet está aí e muitos de nós, pais, nascemos antes de ela existir. E por isso nós primeiro precisamos entendê-la, perceber seus alcances para tentar antever consequências e indicar caminhos aos nossos filhos. De novo, os bebês não nascem plugados. Então, quando nós os apresentarmos ao mundo digital, virtual, precisamos estar junto. Igualzinho quando ensinamos a falar, a andar de bicicleta ou a ser educado com as outras pessoas.

Por fim, minha última pergunta para a Kika foi para esclarecer o que é cyberbulling e como a gente pode mostrar às crianças como ter cuidado.

Gostaria de saber o que você achou deste tema. Tem alguma opinião? Dúvida? Como a dra. Ivanice disse, este é um assunto do qual precisamos falar e trocar informações, experiências, dúvidas. Porque as respostas ninguém tem muito bem e estamos construindo juntos.

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