Mas e se ele não brinca, que mal tem?


Durante dois anos fomos colunistas do blog do Instituto Pensi, do Hospital Infantil Sabará, onde escrevíamos sobre a relação do brincar com o desenvolvimento das crianças. Uma vez por mês trazemos estas discussões para cá. Desta vez, o tema é mostrar a importância do brincar falando do contrário.

Está cientificamente comprovado que a brincadeira é um ponto importantíssimo do desenvolvimento da criança. Brincar não é “não fazer nada”, ou “perda de tempo”.

Como nós estamos num blog sobre saúde infantil, nada melhor que esclarecer um pouco o que pode acontecer com uma criança que não brinca, ou porque está sem tempo (quantas atividades seu filho faz por semana?), ou sem incentivo (e assistir TV não se classifica como brincadeira).

Apatia, falta de criatividade, dificuldade no convívio social, incapacidade de compartilhar, de saber esperar, e sem imaginação. Além de mais dificuldade de desenvolvimento de funções motoras (engatinhar, andar, coordenação motora grossa e fina) e cognição (capacidade de ler, falar, compreender). Estas são algumas das possibilidades que os especialistas apontam.

O brincar precisa ser entendido como momento de brincadeira, ao contrário de atividades como esporte, idiomas, kumon ou liderança para bebês, não importa o nível de ludicidade que eles ofereçam. Aqui um parênteses. Nada contra estas atividades. Mas nenhuma deveria substituir o tempo da brincadeira.

Agendas adultas

A coordenadora da Associação Brasileira de Brinquedotecas, Ingrid Cadore, explica. Hoje o brincar, principalmente na escola, passou a ter a finalidade de ensinar outros conteúdos como inglês, matemática e informática. “As crianças pararam de brincar pelo brincar. E isso é sério, porque na hora em que se brinca sem compromisso, ela trabalha com conteúdos emocionais dela. Muitas vezes brincando, no faz de conta dela, está pondo muita coisa para fora e pensando a respeito”, comenta.

A criança que não brinca não se aventura em algo novo. “As crianças que não têm a oportunidade de brincar ou com quem os pais raramente brincam, sofrem bloqueios ou rupturas em seus processos de desenvolvimento”, explica um dos coordenadores do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Silvio Kaloustian, em entrevista à Fundação Promenino.

“A criança que não brinca não aprende, não tem interesse, não tem entusiasmo, não demonstra sensibilidade e não desenvolve afetividade.” afirma Giuliano Freitas, pedagogo do site Brasil Escola.

Em resumo, a maior conseqüência do “não brincar” é o amadurecimento precoce, levando essas crianças a assumirem um papel de adultos, quando deveriam ser apenas crianças.

Bóra brincar agora!

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