A primeira bicicleta sem rodinhas você não esquece


Um dia eu tomei um susto. Meus três filhos tinham medo de andar de bicicleta na rua! Mas como assim? E elas nem eram bicicletas sem rodinhas ainda. Pois é. A gente tinha colocado tanto medo nas crianças sobre andar na rua, que elas nem queriam se aventurar a pedalar numa ruinha vazia, de bairro, no domingo de manhã.

Então, resolvi mudar isso. E quero contar esta experiência aqui porque muitas vezes as crianças perdem oportunidades de brincar porque a gente não as incentiva e desiste. Mas a satisfação das crianças com este tipo de conquista é tanto (e nosso orgulho também), que vale todo o esforço.

Despertar o interesse

Eu sou da geração “Não esqueça a minha Caloi”. Quando ganhar uma bicicleta era o sonho máximo das crianças. Então, para meu marido e eu era óbvio que nossos filhos estariam mais que ansiosos por ganhar uma no Natal. Só que não. Na verdade, como a gente não andava mais, eles não tinham em quem se espelhar para curtir pedalar.

Isso mesmo. Os amiguinhos dos nossos filhos também não brincavam de bicicleta. Então, o assunto inexistia nos papos de brincadeiras. E no prédio onde eu moro, as bikes e os patinetes e afins, muitas vezes ficam como nesta foto: abandonados e trocados por outras coisas.

Nossa primeira missão, então, como pais, era despertar o interesse dos nossos filhos por pedalar. E nada melhor do que dar o exemplo. Como não temos bikes, passamos a conversar sobre o assunto. Lembrar dos nossos tempos de pedalar em bicicleta sem rodinhas.

Fazer do presente uma expectativa

Em seguida, sugerimos o presente de Natal e fomos criando expectativa nas crianças, sobre como seria legal. Íamos ver modelos, sugerir acessórios, ver itens de segurança. Com tudo isso, o dia em que as bicicletas chegaram foi uma alegria só por aqui. Só que elas vieram desmontadas (!!)

Então, olhei para meu marido e já prevemos o trabalhão que teríamos pela frente. Sério, gente. Levar as três bikes para montar. Trazê-las todas dentro do carro (eu ainda não tinha suporte) foi digno de um filme de terror. E no dia a dia, cada vez que vamos andar de bicicleta, dá um trabalho danado tirar 3 bicicletas da garagem, montar o suporte, colocar as três no suporte, encher os pneus no borracheiro. E chegar no parque, refazer o processo. E depois tudo de novo na volta para casa.

Meu carro fica mais ou menos assim, comigo dirigindo a 20km por hora para não correr o risco de nenhuma bicicleta cair kkkk.

A conquista da bicicleta sem rodinhas

Depois de algumas idas ao parque, as crianças começaram a perder o medo de andar de bicicleta. Parece simples, mas com a gente foi diferente. Mais alguns meses e comecei a ensiná-los a andar sem rodinhas.

O Pocoyo já teve que encarar o desafio de primeira, porque compramos a “magrela” dele já sem rodinhas. Confesso, que não fazia a menor ideia de como ensiná-lo. Foi um aprendizado para nós dois.

E haja costas, viu? Ah! E pernas também para correr do lado dele, segurando a bicicleta pelo banco. Sim, o braço dói também. E dá aquele medinho de soltarmos os filhos. (será que é uma alegoria do futuro?) Mas soltei. E ele, em um momento, foi. Pedalando a bicicleta sem rodinhas!

Que sensação incrível de ver a cena! Eu literalmente saí gritando e pulando atrás dele!

Este vídeo aqui em cima é da Potcho, a mais nova. Que acabou deixando a rodinha, logo depois do irmão, porque ela mesmo pediu. “Estou pronta, mamãe”, ela me disse. E estava mesmo. Poucas aulas e já dava voltas e círculos com uma segurança de dar inveja.

Cada um a seu tempo

Recentemente, eu tirei o terceiro par de rodinhas, da minha filha do meio, que acabou de completar 7 anos.

Ela ainda tem mais medo, caiu, quis desistir e trocar pelo patinete. Mas estou apoiando, dando a ela a certeza que ela consegue aprender a pedalar sem rodinhas como já aprendeu tantas outras coisas.

E também dando espaço e tempo. Afinal, cada um tem seu ritmo, certo? Hoje a foto ainda é assim, com ela preferindo o patinete com o amigo, que a bicicleta com os irmãos.

Tudo certo. Em breve, terei três filhos andando de bicicletas sem rodinhas e prontos para o próximo desafio: deixar o quintal e os parques, para pedalar na rua comigo e meu marido.

Serve para bike e serve para qualquer brincadeira

Quando eu resolvi compartilhar esta história com você, pensei muito nos momentos em que eu fiquei cansada, suja, dolorida com este processo da bicicleta. Mas, de novo, nada foi mais incrível que vê-los conquistando passo a passo este brincar.

Talvez você esteja cansado, dolorido, sem paciência para brincar com seu filho. Mas seja para andar de bicicleta, soltar pipa, aprender a rodar pião, a jogar ioiô ou a bater um recorde no game, estar do lado dos filhos é indescritível.

Por isso, que tal hoje mesmo você mostrar um jogo novo, uma brincadeira para seu filho?

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