Importância do Brincar: A brincadeira é o remédio que garante a saúde das crianças. Entrevista com Daniel Becker


O pediatra Daniel Becker* é figura já conhecida da mídia e das redes sociais. Pioneiro da Pediatria Integral, prática que amplia o olhar e o cuidado para promover o desenvolvimento pleno e o bem-estar da criança e da família, Becker defende que devemos estar mais próximos dos pequenos – esse, sim, é o melhor presente a ser oferecido.

Em entrevista ao Tempojunto, logo após promover o Fórum Prescrevendo o Brincar, no Congresso de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro de 2018, Becker afirma que a brincadeira é fundamental para a saúde física e mental das crianças. “Brincar é a essência da infância. E é o que mais desejo para crianças e adultos”, afirma.

pediatra daniel becker em seu consultorio

O pediatra explica que competências humanas adquiridas na infância, com o livre brincar, são cruciais para o desenvolvimento, e devem ser estimuladas. Assista neste início de conversa porque a brincadeira é sim, uma questão de saúde para seu filho.

A brincadeira consegue minimizar as diferenças sociais

“Brincando a criança aprende coisas que ninguém mais pode ensinar a ela”, afirma o pediatra. E continua. “Uma criança que brinca no parque com amigos vai aprender a negociar, interagir, ter empatia, ouvir o outro. Ela também, se fará ouvir, avaliar riscos, resolver problemas, desenvolver coragem, autorregulação, auto estímulo, criatividade, imaginação. Tudo isso que a gente sempre fala por aqui no blog. Mas agora com um peso diferente. De um profissional de saúde que enxerga o brincar como uma forma legítima de promover a saúde e o desenvolvimento integrado dos nossos filhos.

Na entrevista, Daniel também fala sobre as agendas das crianças. Elas estão lotadas. E nós pais acabamos pressionando nossos filhos por resultado. Mas o brincar é, ainda na opinião do pediatra, muito mais importante para um adulto bem-sucedido do que uma aula de Kumon ou violino. “Não que precisemos desvalorizar a importância de matricular nossos filhos em algumas atividades, mas é importante nunca esquecer que brincando livremente na natureza a criança está aprendendo.”, conclui.

Quais as implicações desse conjunto de hábitos e comportamentos para os nossos filhos?

Brincar livre e ao ar livre

Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. “Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos”, explica Daniel Becker. Brincar não é apenas tratar e prevenir doenças, mas promover o bem-estar emocional, social e até espiritual da criança e da família”, afirma. Veja um pouco mais neste trecho da enrevista.

Aliás, este trecho da entrevista é muito importante de ser visto. Porque o especialista fala de outro ponto importante da vida de crianças e adolescentes atualmente: o excesso de medicamentos.

Há, claro, mais possibilidades de diagnósticos dos problemas infantis. Mas o mundo de hoje está usando muitos medicamentos para jovens e crianças desnecessários, na opinião de Becker. E a gente concorda.

O tédio é necessário para desenvolver a mente

A vida urbana não permite que a criança extravase sua energia. “Tem criança que fica de oito a dez horas conectada a aparelhos, seja o smartphone, o tablet ou mesmo a TV. Elas não têm mais direito a um momento de consciência. Elas ficam o tempo todo distraídas, ocupadas, ‘ligadas’. E o tédio é a fonte da criatividade”, conta Daniel Becker.

Na opinião do especialista, que inclusive vai ao encontro de outra especialista, a psicanalista Vera Iaconelli, o tédio, o vazio é importante. Ela, que recentemente também falou ao Tempojunto, explicou como a criança precisa estar sozinha e sem fazer nada, para se gostar e ser criativa.

Becker concorda. “Mente vazia é aquela voltada para si mesma, com pensamentos mais autorreflexivos. É aí que vai surgir a criatividade”. “A criança precisa de tempo desestruturado para brincar. E não fazer só um roteiro estipulado pelos outros, só absorver as mensagens externas. Ela precisa da possibilidade de chegar em casa e brincar com o que quiser, ou ir para o parque e se divertir como preferir”, conta o pediatra.

A criança que sabe brincar é um adulto que sabe viver

Achei muito poderosa esta frase acima. E este é o tom da importância do brincar que Becker enxerga para as crianças atualmente. E o brincar do lado de fora, junto à natureza é uma das bandeiras que o especialista também defende.

“O lazer externo traz inúmeros benefícios. Ele afasta um pouco a gente da tela. Não dá para andar de bicicleta, correr ou subir na árvore com um tablet na mão. Além disso, essas crianças vão ver crianças diferentes. O convívio com as diversidades gera empatia e compreensão das diferenças’, explica. Aliás, se você ouviu o trecho em vídeo desta entrevista percebeu como a loucura da nossa sociedade é uma preocupação de Daniel Becker.

A gente sempre encerra nossas entrevistas pedindo a nossos entrevistados que completem a frase: Brincar é…

Curtiu este post? Você sabia que pode receber nossas dicas direto no seu e-mail? É só fazer parte da nossa lista. Além das ideias da semana, as novidades do Tempojunto chegam primeiro por lá. É só clicar e se inscrever.

* Daniel Becker é pediatra formado pela UFRJ e mestre em Saúde Pública pela FIOCRUZ. Foi pediatra do Médicos sem Fronteiras na Tailândia e um dos criadores do Programa de Saúde da Família. Fundou e trabalhou no Centro de Promoção da Saúde (Cedaps), ONG que é referência em saúde de comunidades populares. É pioneiro da Pediatria Integral e também atua como palestrante, escritor e consultor de fundações e empresas

+ Seja o primeiro a comentar

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.