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Disciplina positiva: cinco respostas sobre como incluí-la na sua rotina brincante


Confesso que dei atenção ao termo Disciplina Positiva por causa de vocês que nos seguem também nas redes sociais. Então, fui conhecer e estudar sobre o assunto, e acabei entrevistando (e conversando muito) com Jane Nelsen*. Ela foi quem primeiro organizou as teorias de paternidade ao mesmo tempo firme e gentil e chamou de Disciplina Positiva.

Nesta entrevista, tive duas gratas certezas. A primeira é que, tudo o que temos falado em outros posts, em nossos cursos, a partir das nossas práticas de brincar e do suporte científico da neurociência, dentro da paternidade brincante, está muito conectado com o que são as propostas de Jane.

A segunda foi que a própria autora confirmou o quanto a brincadeira está intimamente ligada às ferramentas práticas para que nós pais possamos colocar a Disciplina Positiva na nossa vida.

Porta vozes da Disciplina Positiva

Como há muita gente legal já falando sobre o que é Disciplina Positiva, como ela funciona e seus principais ganhos, eu não vou tornar este post mais um. No final, deixo vários links que eu selecionei (após ler uma dezena de posts, assistir cerca de 30 vídeos e ouvir mais umas 5 entrevistas sobre o assunto), como os mais esclarecedores para quem quer adotar o método em sua família.

Você também pode clicar aqui e baixar um resumo, versão de bolso consulta-em-qualquer-momento.

O que você vai ver aqui é a entrevista com a Jane Nelsen e como ela valoriza e explica o que a brincadeira pode fazer para te ajudar a incluir seu método na sua rotina.

Comecei o papo com Jane perguntando como ela enxergava a brincadeira dentro da Disciplina Positiva. “Eu comecei a buscar o que depois chamaria de disciplina positiva porque a minha maternidade não era divertida, não era brincante. E eu achava que deveria ser. Tanto para mim, quando para meus filhos”.

A autora explicou que pretende escrever mais sobre a ideia geral que a parentalidade vem ou do medo ou do amor. E o conceito da especialista é que a parentalidade a partir do o amor, se torna mais leve, prazerosa e divertida (e a gente fala isso o tempo todo!!!!Oba!).

Quando nós viemos a partir do medo, fazemos todas estas coisas que não são divertidas e agradáveis”, afirma. E continua: “Já pensei em escrever um livro baseado em três palavras. Eram “Enjoy your kids” (na minha tradução livre, “Divirtam-se com seus filhos”). Que ferramenta é mais indicada para isso? O brincar.

Até matemática vai melhor brincando

“Quando tiramos a brincadeira da vida das crianças e colocamos nelas todas as nossas angústias, ficamos muito preocupados em se eles vão fazer as coisas bem o suficiente, ou se aprenderão a falar cedo o suficiente ou se eles aprenderão”, conta Jane. Ela exemplifica me contando sobre uma pesquisa norte-americana que avaliou dois grupos de crianças, do ensino infantil, até o 3o. ano Fundamental.

Para metade dos alunos foi dado ensino acadêmico de matemática desde o jardim da infância. E os outros não viram nenhum conteúdo formal de matemática até o 3o. ano fundamental.

E quando o segundo grupo de crianças, já no 3o. ano, finalmente começou a aprender matemática, eles precisaram de apenas 2 meses para ultrapassar a pontuação daqueles que haviam estudado a matéria desde o jardim da infância. “E parte do motivo deste resultado é que para as crianças que tiveram matemática muito cedo, a matéria não era divertida. Era difícil, e feria sua auto-estima, porque eles não estavam prontos para este aprendizado. As crianças pensavam que eles não eram espertos e inteligentes o bastante para aprender”, conta Jane.

Já as crianças que tiveram a oportunidade de esperar até que estivessem prontos, acharam a matemática divertida. “Para mim este é o melhor motivo para defender que as crianças possam brincar”, conta.
E é por isso que no jardim de infância e educação infantil as crianças estão aprendendo muito quando estão somente brincando. Quando estão se divertindo.

Nós muitas vezes não percebemos o quanto as crianças aprendem brincando. E brincando estão ajudando o cérebro a se desenvolver, preservando sua auto-estima e seu gosto pela vida.”, finaliza.

Brincar para aprender melhor

Então, se a brincadeira representa tudo isso, porque é difícil para os pais “abraçarem” o brincar na primeira infância, em lugar de focar na aquisição de conteúdo? Eu perguntei à Jane.

“Eu acho que é porque eles (os pais) não compreendem (o valor da brincadeira). Todas as pesquisas mais atuais nos falam sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças na primeira infância e traduzimos isso geralmente para uma paternidade que pressiona demais os filhos. O que fere a auto-estima das crianças”.

O cérebro se torna muito rígido (contrário de plasticidade) quando não se brinca. E as crianças não entendem que podem cometer erros. “Há muita pressão pelo resultado, o que realmente fere sua auto-estima. E os pais fazem isso porque eles pensam que estão fazendo em nome do amor”, sugere Jane.

Eles realmente acreditam que estão ajudando seus filhos, pressionando-os. E isso acontece porque muitos pais têm medo de não fazerem direito e deixar os filhos cometerem os mesmos erros que eles cometeram”, explica, retomando a teoria da paternidade que vem do amor ou do medo. “Entretanto, temos realmente que permitir que nossos filhos cometam seus próprios erros, com o sentido do brincar”.

Dentro da Disciplina Positiva, uma das ferramentas é mostrar aos filhos que o erro é legítimo e não recriminável. E que errar é uma oportunidade de aprender. Ao proporcionar o brincar, as crianças podem testar, descobrir e cometer erros de uma forma leve e construtiva. A mesma brincadeira permite que a criança aprenda com o erro e elabore alternativas para ser mais bem sucedido de uma outra vez. E no brincar não há julgamentos.

Na foto, close de Jane Nelsen, criadora da Disciplina Positiva, sorrindo, sentada, vestindo num terno azul

A Disciplina Positiva e o Brincar na prática

Mesmo que você não conheça o método da Disciplina Positiva, já deu para perceber que ela apresenta uma forma diferente de educar os filhos.

São 5 os critérios básicos da teoria organizada por Jane Nelsen.

1. Ajudar a criança a sentir conexão com as coisas ao seu redor, como a família. Saber que pertence àquilo, e que é importante para a família, para os pais, para as relações que tem.

2. Encorajar respeito mútuo. Onde o adulto é firme em seus limites com os filhos, mas apresenta estes limites com gentileza, tratando a criança como um ser humano, capaz, inteligente e sensível.

3. Funcionar em longo prazo. Ou seja, a Disciplina Positiva entende que o que a criança está pensando, sentindo, aprendendo e decidindo sobre si mesma e sobre seu meio social neste momento é crucial para como ela será no futuro e quais escolhas fará quando adulto para para sobreviver e para ser bem- sucedido. Por isso, nós, pais temos que dar atenção também agora, no dia a dia, nos momentos em que está com seu filho.

4. Ensinar habilidades sociais e de vida (respeito, cuidado para com os outros, resolução de problemas e cooperação; habilidades adquiridas na primeira infância, a partir principalmente do brincar)

5. Incentivar a criança a descobrir suas capacidades. (Encorajar o uso construtivo do poder pessoal e autonomia).

Legal. Bonito. E como se pratica isso? Novamente, não vou me estender nas ferramentas da Disciplina Positiva. Mas no quanto a brincadeira, permitir o brincar e brincar com seu filho traz de benefícios dentro desta metodologia.

“Para mim, e estamos falando sobre vínculo, no sentido de pertença e de significância/importância. E para mim, vínculo é amar. Por meio da brincadeira, trazemos este vínculo”, conta Jane Nelsen.

“E a brincadeira é uma opção quando explico, por exemplo, nos meus treinamentos, sobre “tempo de calma” positivo. Qual a razão de, em lugar do castigo, ou do cantinho de pensar, você convidar seu filho para sentar e jogar um jogo com você, num momento de raiva, aborrecimento ou de falta de controle emocional dos filhos?”, se pergunta e especialista (e eu me pergunto também).

O jogo pode ajudar a acalmar, focar e até esclarecer a situação primeira do aborrecimento ou da birra.

Conexões

“Fazer esta conexão pelo brincar para ajudar seu filho a se acalmar não significa mimá-lo, não significa que você está deixando que ele consiga o que ele queria com a birra”, conta Jane. Ela tem toda razão.

Uma outra frase da Disciplina Positiva muito propagada é : “De onde tiramos a ideia maluca que para uma criança fazer melhor as coisas, nós precisamos antes fazê-la se sentir pior”. “Isto é loucura”, reforça Jane, “Porque as crianças fazem melhor, quando eles se sentem melhor. E brincar as fazem se sentir melhor”.

Na opinião da autora, brincar é uma das melhores formas de você se conectar com seu filho. Ajudá-lo.

E isso também significa que você permite que seu filho se sinta seguro do ponto de vista neuropsicológico. Uma mente, um cérebro seguro não precisa cair no estresse tóxico, no alerta constante. Desta forma, o cérebro fica livre para aprender. “E eles podem aprender muito mais quando eles se sentem melhor”, Jane completa minha teoria.

Um mundo positivamente brincante

Em algum ponto ao escrever este post, eu me emocionei e chorei. Por dois motivos. Primeiro, porque é realmente gratificante quando um especialista com mais de 50 anos de experiência nas costas em desenvolvimento infantil e parentalidade reconhece tão claramente a importância do brincar. Mas, meu choro foi por lembrar o quanto a gente aqui no Tempojunto (e tantos outros projetos) ainda lutamos para mostrar aos pais porque brincar precisa ser importante na vida dos filhos.

Foi quando pedi ajuda para Jane. “O que você falaria aos pais para ajudá-los a entender a importância do brincar?”. Se você já sabe, pode pular este trecho. Se você tem dúvidas, continue. E se você conhece quem ainda desconhece porque brincar é importante, manda prá esta pessoa 🙂

“Na Disciplina Positiva não chamamos só de brincar, mas chamamos de relaxar, de se sentir seguro, de ter prazer com a vida. E quando as crianças estão neste estado de espírito, elas são capazes de aprender mais. Então é um brincar conectado. Há 45 anos, quando eu ensinava sobre desenvolvimento infantil já havia pesquisas sobre a importância da brincadeira. É ferir significativamente auto-estima das crianças, quando elas entram em creches e são pressionadas a trabalhar e aprender matemática ou a ler. Mas a maioria destas pesquisas estão enterradas em revistas acadêmicas”, começa Jane a me responder.

E ela continua. “E no campo da pesquisa, ao investigar a diferença entre crianças vão para creches ou ensino infantil num ambiente brincante, e as que não têm esta oportunidade, a conclusão é que brincar ajuda a desenvolver melhor o cérebro das crianças”.

Desconhecimento

“Muitos pais desconhecem estes dados. Eles dizem que foram criados assim e que cresceram bem. E sempre que eu escuto isso eu penso ‘é verdade, nós crescemos bem’. Porém, poderíamos ter-nos saído melhor, com nossa auto-estima alta a ponto de não ficarmos ou nos preocupando se somos bons o bastante, ou nos importando com o que as outras pessoas vão pensar”, argumenta a autora.

Ferramentas da Disciplina Positiva como “Conectar”; “Ajudar com as emoções”, “Estabelecer limites com empatia” e Regular suas próprias emoções” estão intimamente ligados à brincadeira.

Quem nos segue há mais tempo sabe que nossa pergunta final nas entrevistas é sempre completar a frase. Brincar é… Assista a resposta de Jane.

Ok. Não resisto. Ela disse: “Brincar é se divertir, brincar é ter prazer. Brincar é amar.”


Como eu prometi, segue uma lista de que eu recomendo para quem quer entender mais e aplica a Disciplina Positiva com os filhos.

Bete P. Rodrigues – Consultora Educacional e certificada em Disciplina Positiva. Tive a oportunidade de assistir uma palestra com ela e foi ótimo. Super clara, direta e com ótimos exemplos práticos. No site tem conteúdo sobre Disciplina Positiva e informações de cursos e palestras para pais.

Disciplina Positiva Brasil – É o site oficial no Brasil sobre o assunto. Também tem conteúdos mais técnicos para ler e artigos interessantes.

Malcriação e disciplina positiva – reportagem da CBN que foca mais no ponto que incomoda boa parte dos pais

Paizinho, vírgula – O Thiago (que já foi um dos nossos entrevistados aqui no Tempojunto) aplica Disciplina Positiva, estuda, explica e é um porta-voz do assunto que eu achei muito coerente. Aqui um início de conversa, mas vale assistir aos vídeos dele sobre o assunto no Youtube.

Caroline Figueiredo – no youtube. Achei os vídeos dela bem claros para a gente entender a teoria da Disciplina Positiva e o trabalho X benefícios para os pais. Faltou, porém, vídeos sobre as ferramentas da disciplina em si.

20 ferramentas da Disciplina Positiva alternativas ao castigo – São 52 ferramentas no total na Disciplina Positiva. Mas elas estão nos livros e nos cursos. Este post foi um que garimpei e achei super prático para que a gente entenda como as ferramentas funcionam no dia a dia.

Livro Disciplina Positiva – Jane Nelsen (este link é para compra com o Tempojunto como afiliado)

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