A verdade que ninguém contou a você sobre não conseguir brincar


E daí já vem na nossa cabeça aquela culpa por não ter brincado com as crianças hoje. Ou de ter criado uma desculpa para seu filho brincar sozinho, quando ele queria que você participasse. Mas a verdade sobre não conseguir brincar é que isso é normal.

Por mais espírito alegre e brincante que a gente tenha, nós somos adultos. Crescer faz parte da vida e a brincadeira é fundamentalmente a forma da criança aprender, descobrir, se expressar e se desenvolver. Se a gente teve uma infância de brincadeiras, o normal é que ao crescer a gente vá substituindo o brincar por outras atividades que nos dão prazer.

Então, não precisa tanta culpa (ufa!) por não conseguir brincar com seu filho, não saber como brincar ou até não gostar muito de brincar.

Não conseguir brincar tem remédio

Agora, a gente sempre fala no por aqui (aliás, é por isso que o Tempojunto existe) sobre a importância de você brincar com seu filho. E é verdade. Então reunimos aqui 7 principais verdades sobre brincar que vão mudar sua percepção.

1. Assuma que não é preciso brincar o tempo todo

Porque fazer algo sem vontade pode ser mais prejudicial para a criança do que não fazer.”Quando um pai faz algo verdadeiro, até um bebê percebe. Evidentemente, se os pais brincam porque leram em algum lugar que é importante para o desenvolvimento, mas não fazem com uma vontade legítima, isto também será percebido pela criança”, afirma a especialista, mestre em educação, Tânia Zagury, em uma entrevista para o Tempojunto. Ouça o que a professora Tânia tem a dizer sobre este assunto.

Ao mesmo tempo, Tânia afirma que brincar no sentido literal da palavra não define um bom pai ou uma boa mãe. “Há pessoas que se sentem desconfortáveis brincando. E isso é perfeitamente normal”, explica. Ela esclarece melhor neste trecho da entrevista.

Por sua vez, a pisicoterapeuta da família, Natércia Tiba (filha do psicanalista Içami Tiba), dá o primeiro cheiro de resposta, explicando, afinal, porque há pessoas que acreditam que não gostam de brincar ou não sabem brincar.

Então, a primeira coisa a saber é que “não gostar de brincar” não é uma tragédia. E quando aceita-se isso, podemos olhar para a brincadeira de outra maneira.

2.Brincar tem muitos sentidos

Brincadeira pode ter inúmeros significados para a criança. E nossa experiência com especialistas em desenvolvimento infantil mostra que mais do que definir cientificamente o que é brincar, o que importa mesmo é o que a criança entende por brincar.

Se num dia brincar é correr de pegador, no outro pode ser cantar. Um dia é o tablet e no outro uma caixa de papelão. Brincar pode ser dançar na sala, ou imaginar quem são as pessoas dentro do metrô. Brincar é sentar para jogar um tabuleiro e também fingir de mamãe e filhinho.

Quando conversamos com uma de nossas leitoras que disse que não gostava de brincar, descobrimos que na verdade ela tinha esta atitude lúdica o tempo todo com os filhos. O que ela não gostava, por exemplo, era se sentar e brincar de casinha, ou participar de um pega-pega. Será que este não é também seu caso?

foto: Drika Trevisan Fotografia

O psicólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Lino de Macedo defende, por exemplo, que a atitude lúdica deve estar presente na forma como o adulto lida com a criança no dia a dia. Isso não significa ser “um palhaço” o tempo todo. Mas ter, por exemplo, uma atitude brincante na hora de ler para dormir (não sendo automático, sério, sem graça), ou da higiene ou das refeições, ou até do ir e vir (de carro, à pé ou no transporte público).

3. O lúdico pode estar na rotina

Ler histórias, fazer cócegas, assistir a um filme, acompanhar uma partida de vídeogame, cantar no banho, contar piada, fazer uma careta na hora da refeição, permitir tempo para brincar, levar a um lugar diferente para explorar. Estes são apenas alguns exemplos de atitudes lúdicas que necessariamente podem não configurar uma “brincadeira” com os filhos. Mas não se engane. Isto é também sim brincar.

Aliás, para saber como estas atitudes vão funcionar para você, tem um podcast do Tempojunto sobre o assunto da atitude brincante no dia a dia que você precisa ouvir. Ele é gratuito e você acessa neste link.

4. Brincar se aprende e é saudável para os pais também

Ninguém nasce sabendo brincar. A gente aprende. E normalmente, aprendemos mais facilmente aquilo que a gente gosta. Então, traga suas memórias de infância e brinque daquilo que você gosta.

5. Deixe que outros adultos brinquem com seu filho

Pode ser o pai, a mãe, os avós, tios, um primo mais velho. Quem mais há de adulto junto com você? Divida o brincar do seu filho com eles. Especialmente, se eles gostam de brincar justamente daquilo que para você não é tão interessante.

E se por acaso sua experiência na infância não permitiu muitas experiências com brincadeiras, e daí você não conseguir brincar, nunca é tarde para aprender. A psicóloga Patricia Garcia explica os primeiros passos desta aprendizagem.

6. Prepare o palco e fique na platéia

A pedagoga, Nylse Helena Silva Cunha, criadora do primeiro espaço público de brincar no Brasil afirma que o adulto tem o papel de preparar e proporcionar tempo, espaço e objetos para a brincadeira acontecer. Você pode se valer disso algumas vezes.

Proponha brincadeiras para seu filho (tem várias aqui no blog), e fique só observando e incentivando o brincar.

Mas, por favor, não substitua sua presença por um brinquedo. Mesmo não querendo brincar, fique junto de seu filho.
A doutora em saúde pública e consultora para o desenvolvimento da Primeira Infância, Anna Maria Chiesa, explica que, por acgarmos que não sabemos ou não gostamos de brincar, acabamos substituindo nossa presença por um objeto.

Tudo o que a gente escreveu aqui também está num vídeo do nosso canal no Youtube. Nele, a gente explica um pouco mais destas verdades que ninguém te contou sobre não conseguir brincar com seu filho.

7.Um pouco por dia

Então, dica Tempojunto: se você está cansado, estressado, irritado, ou acha que não gosta de brincar, que tal visitar uma brinquedoteca, um parquinho e, sem pressão, simplesmente ver o que acontece?

E vai de novo o podcast para você baixar gratuitamente e ouvir onde quiser, porque ele vai te ajudar a ver a brincadeira de um jeito diferente. Clique neste link.

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