Brincar traz questões sócio-culturais que seu filho precisa conhecer


Gabriela Romeu conhece o brincar como poucos aqui no Brasil. Mais ainda: ela viu de perto as brincadeiras em cada região brasileira, estudando também os aspectos sócio-culturais que elas trazem.

Organizadora do “Mapa do Brincar”, projeto da antiga Folhinha, da Folha de S.Paulo, e escritora dos livros “Terra de Cabinha” e “Lá no Meu Quintal – o brincar de meninos e meninas de Norte a Sul”, Gabriela pesquisou e viu na prática como e do quê as crianças brincam.

Só que o que poderia ser só um catálogo de brincadeiras pelo Brasil, trouxe junto mais. Trouxe para a autora a possibilidade de entender como as crianças adquirem conceitos sociais e culturais pela brincadeira.

Realidades sócio-culturais diferentes se refletem no brincar

As brincadeiras ultrapassam fronteiras e, ao mesmo tempo, trazem seus regionalismos, na forma de diversidade de materiais da brincadeira, por exemplo, carrinhos no Sul e barcos e aviões nas crianças brincando ao Norte.

E também na forma de ritmos de brincar e de lugares de brincar. Você pode brincar de pega-pega no quintal de casa, no meio da mata, dentro da água ou no pequeno tapete da sala.

As questões que cada região vive, estão nas brincadeiras. “Daí a importância de compartilhar formas diferentes de brincar com os filhos”, conta Gabriela. E ela nos questiona: “como oferecer novas brincadeiras; como deixar as crianças brincarem de jeitos diferentes?”

A resposta é simples: permitindo que nossos filhos brinquem com diversas crianças. As diferenças aparecerão, certamente. Mas as semelhanças serão mais fortes.

As crianças conhecem diferenças nas brincadeiras

Gabriela explica que, sim, as brincadeiras refletem estruturas sócio-culturais, como o racismo, a discriminação social e as crianças percebem isso e refletem estas diferenças no outro.

“Então, é importante evitar o afastamento, ou a rotulagem de brincadeiras. Não existe brincadeira ribeirinha, brincadeira quilombola”, explica a autora. “Existem brincadeiras. E elas surgem nos contextos sócio-culturais de cada grupo, cada lugar”.

Diante disso, Gabriela não acredita em simplesmente eliminar brincadeiras do repertório dos filhos. Ou substituir letras de cantigas para adotarmos o politicamente correto simplesmente. “Estamos num momento de grandes debates sociais, e a brincadeira também precisa estar neste contexto. Vamos brincar com nossos filhos e mostrarmos a eles as realidades, as mudanças”, afirma.

Em resumo, vamos contribuir para termos crianças mais bem resolvidas sócio-culturalmente e capazes de crescerem adultos que levem adiante as mudanças, se permitirmos que nossos filhos brinquem. Brinquem com um repertório de diferentes brincadeiras.

A entrevista completa está aqui:

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