Brincar é urgente e vital – Entrevista com Ana Cláudia Leite do Alana
A gente sempre busca um especialista que possa dar embasamento ao que a gente fala sobre o brincar. Estas conversas são retratadas aqui, uma vez por mês aos sábados, nesta coluna A Importância do brincar. E neste mês, conversamos com a Ana Cláudia Leite, mestre em educação pela PUC-SP e especialista em infância pela CLACSO-UNESCO. É coordenadora de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana e da Pós-graduação “Infância, educação e desenvolvimento social” do Instituto Singularidades.
Para quem não está familiarizado com esta área de desenvolvimento da infância, o Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne os projetos na busca pela garantia de condições para a vivência plena da infância. São dele iniciativas como o Slow Kids, as Feiras de Trocas de Brinquedos e o filme Tarja Branca.
Logo no início da nossa conversa, Cláudia explica de forma muito clara e simples o que é o brincar e porque é tão importante. “O Alana tem como missão honrar a criança. E seria impossível não falar do brincar. O brincar é um direito e essencial para a qualidade de vida da criança“, esclarece. Veja só:
Cláudia ratifica o que em outra entrevista, o especialista Lino de Macedo também já havia afirmado. A criança pode ser estimulada pelo brincar desde que nasce. As brincadeiras de esconder e achar, ou até a atividade de pegar no dedo da mamãe por exemplo, são fundamentais para que o bebê encontre resposta e reações ao que está fazendo.
“Estes são jogos simbólicos de apropriação do mundo e do seu corpo. A brincadeira do bebê (mesmo de forma diferente da criança mais velha) é a interação que ele tem para descobrir o mundo, de forma lúdica”, afirma a especialista. E completa: “A criança vai brincar independentemente de darmos valor a isso. Entretanto, quando a sociedade entende a importância do brincar, ela pode promover espaços e tempos para que esta atividade se desenvolva plenamente.”
A TV não sorri de volta
Neste outro trecho da entrevista (abaixo), Cláudia explica porque o pai, a mãe e o adulto em geral são melhores para a criança em contraponto com a tela. Ela também explica como é que nós podemos brincar com crianças nas mais diferentes idades.
Entre as sugestões da educadora, por exemplo, está a apresentação de materiais não estruturados às crianças. Traduzindo: materiais que não foram ainda transformados em alguma coisa e por isso podem originar várias brincadeiras. Os tubos de papel e rolo de papel higiênico, a caixa de papelão, o lençol, a massinha, entre outros materiais.
Achei bem legal quando ela explica que os adultos podem simplesmente proporcionar os convites para a brincadeira. Eu já postei aqui no blog algumas sugestões destes cantinhos de brincar.
A liberdade de brincar
A coordenadora do Alana acha impressionante que hoje tenhamos que rotular o brincar “livre” para nos referirmos à brincadeira sem estrutura definida, um direcionamento rígido, ou um objetivo a ser alcançado.
“Brincar deveria pressupor liberdade, espontaniedade e uma ação que parte daquele que brinca”, diz Cláudia. “A brincadeira valorizada hoje em dia é aquela mais direcionada”, explica.
Além disso, a brincadeira é capaz de transmitir os valores de uma família e a cultura de uma sociedade à criança. Veja só que relação a Ana Cláudia faz.
“Sem o brincar a gente adoece. Então o brincar deixa de ser importante para ser urgente. Mais que importante, ele é vital”, afirma a consultora. Ela destaca que a brincadeira é um parênteses também para a saúde dos adultos.
O Território do Brincar
O Alana lançou recentemente o documentário “Território do Brincar” que mostra como as crianças brincam em todos os espaços, durante todo o tempo e com o quê elas têm disponível. Neste trecho da entrevista, Cláudia propõe um questionamento sobre estarmos exigindo que as crianças respondam como adultos.
Ana termina a entrevista nos convidando a resgatar nossas memorias da infância. Quando o adulto se coloca no lugar da criança, recuperando seu potencial lúdico, o encantamento e o imaginário da infância, ele alimentará muito a vida, seja como pais, educadores ou como pessoas que querem ser felizes na sociedade.
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