Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros


Nesta semana estivemos eu e a Patricia Camargo numa conversa promovida pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal(FMCSV) sobre o desenvolvimento da criança na Primeira Infância e um dos temas abordados foi justamente a leitura. O papo foi tão bom, que resolvemos escrever um especial sobre a importância de ler para as crianças e como fazer isso de forma lúdica ajuda a criar nas crianças o gosto pelos livros.

Esta semana também coincidiu com o lançamento de mais um livro da Patricia Auerbach, Coisa de Gente Grande, uma escritora de livros brincantes que são ótimos para estimular a imaginação. Ela já esteve conversando com o Tempojunto e foi uma entrevista bem lúdica. Ou seja, tivemos uma semana literária! E queríamos compartilhar com vocês.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - lendo com a vovó

Marcia Miyoko Wada, mestre em Educação, pedagoga do Instituto Itaú Criança e coordenadora de projetos sociais e educacionais na A Cor da Letra, destacou no evento da FMCSV que há uma contradição entre o mercado editorial brasileiro e o índice de leitura nacional. Apesar de terem surgido muitas editoras no País que têm investido na produção literária de qualidade, há uma luta contra o analfabetismo funcional, ou seja, quando uma pessoa reconhece letras e palavras, mas não consegue interpretar um texto corretamente. Isto afasta a pessoa da leitura, a despeito do aumento visto na quantidade de livros que o brasileiro tem lido.

Parte deste analfabetismo vem da forma como os livros são apresentados à criança na primeira infância, entre 0 e 6 anos. Muitos pais, por exemplo, ainda deixam para mostrar um livro somente quando o filho começa a ler as primeiras palavras. “Mas o bebê já pode tomar gosto pelo livro ao ouvir o som dos pais lendo uma história. Os bebês são sensíveis à musicalidade da voz humana e relacionam as entonações e expressões faciais com aquele objeto que eles ainda não conhecem, mas que interpretam como algo prazeroso”, afirma Marcia.

Leitura brincante

Tanto eu quanto a Patcamargo temos o hábito de ler para nossos filhos desde bebês. Eu já fiz um post sobre o assunto, lá no começo do Tempojunto, quando apresentei os livros para a Gabi. E outro mais recente, com a Gabi já explorando os livros sozinha.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - Leitura brincante para bebês

E aqui tem uma foto da Cururuca já brincando com um livro antes de sentar direito.

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Esta é uma das dicas que a especialista deu. “A leitura precisa ser lúdica (ou brincante, como eu falo por aqui), divertida e grátis, ou seja, sem cobrança por resultados em qualquer idade.”

Para incentivar ainda mais a leitura para as crianças, outro dado: pesquisas mostram que quando os pais leem sistematicamente para as crianças, os adultos são mais bem sucedidos no decorrer da vida acadêmica e profissional. É ou não é uma boa?

Outro ponto importante é o exemplo dos adultos. As crianças nos imitam. Portanto, se elas não nos vêem lendo como vão querer ler? Talvez este seja um hábito que está fora da nossa rotina, mas eu garanto que vale o esforço – para as crianças e para nós, adultos – lermos nem que sejam algumas páginas por dia na frente dos filhos.

E quem já leu a mesma história umas 597 vezes? Eu! E, segundo Marcia, é assim mesmo. Ao pedir para lermos a mesma história repetidas vezes, as crianças desenvolvem o vocabulário, compreendem mais nuances da história e aprendem a interpretar as sutilezas da fala humana, como a ironia ou o sarcasmo. Agora, nada disso acontece se a leitura que fazemos é monotônica, chata, sem graça. Assim não há criança que tenha paciência de ouvir. Aliás, qual de nós tem paciência de acompanhar uma palestra ou uma aula assim?

Daí a importância de programar também a leitura. A Patcamargo escreveu um post sobre como tornar a leitura de um livro mais brincante. Tem até uma coluna dela com músicas para cantar antes da história começar e já prender a atenção das crianças.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - interpretação da leitura

Como ser um bom leitor

Mesmo que você não tenha ainda grandes habilidades de contador de histórias ou leitor de livros, dá para seguir algumas dicas para deixar o momento da leitura realmente interessante e encantar as crianças com as fantasias dos livros.

1. Procure ler antes o livro do dia. Desta forma você já sabe onde fazer pausas, aumentar ou diminuir o volume da sua voz, provocar um suspense ou dar aquele sorriso que ilustra o que está acontecendo na história.

2. “Oferecer leitura é oferecer o mundo”, disse Marcia. Ela quer dizer que quanto mais diversificados forem os livros, mais facetas do mundo a criança vai conhecer. E nada de se preocupar com possíveis histórias que lidem com tristeza, dor, morte ou que tragam atitudes pouco “politicamente corretas”. Tanto a psicóloga, quanto os demais especialistas em desenvolvimento infantil presentes no debate afirmaram que é importante haver espaço par conversar sobre pontos de vista diferentes com relação à livros que tenham “finais infelizes” ou diferentes da sua crença e cultura familiar. “Além disso, a criança experiencia situações pelas histórias que não precisam experimentar na vida real”, afirmam.

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3. Escolha bem: o mercado de livros cresceu, a oferta de títulos é grade e nem tudo é de qualidade. Pesquise, vá a livrarias, converse com outros pais e peça dicas na escola. Aqui no blog a gente procura sempre ter um autor legal na coluna de Leitura Brincante. Você conhece a Sandra Ronca? O Sumiço do Ó é um título super divertido, que ainda dá margem para muitas brincadeiras fora do livro.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - Sandra Ronca

A Patricia Auerbach tem dois livros também brincantes e que estimulam a criatividade. O Lenço e O Jornal. E o novo lançamento, Coisa de Gente Grande, também pode mexer com a imaginação. Olha algumas das páginas internas.

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E que tal, continuar motivando a leitura das crianças maiores com uma pitada de bom humor? O Paulo Tadeu escreveu o conhecido Proibido para Maiores, com piadas próprias para as crianças. É dele também a série A Fantástica Fábrica de Histórias para Crianças que eu tenho em casa e super indico para estimular a interpretação e criação de histórias.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - Paulo Tadeu

4. Introduzir a leitura da fantasia no lugar da factual para o momento de contar a história. Em outras palavras, fazer vozes diferentes, e escolher livros que tratem do dia a dia de uma maneira diferente do tradicional. O autor Ilan Brenman faz isso muito bem em seus livros. Até as Princesas Soltam Pum, Gabriel, já para o Banho e Telefone sem Fio são exemplos.

Brincar de leitura estimula o gosto pelos livros - Livros do Ilan Brenman

A Tatiana Belinky é uma autora que a Patcamargo gosta muito e que entra na categoria de histórias, às vezes, politicamente incorretas, como o Caso do Bolinho (o bolinho é comido no final) e Dez Sacizinhos são exemplos.

Rute Rocha, Audrey Wood, Eva Furnari e Ana Maria Machado são outros autores que tem uma boa produção de livros infantis. Mas há vários outros. Vale à pena pesquisar livrarias.

5. Enquanto livro for objeto sagrado ele não funcionará como instrumento de aproximação da leitura. Um livro precisa ser manuseado, lido várias vezes, testado. A criança precisa também do contato físico com os livros. Então, deixe uma estante na altura delas para que possam pegá-lo livremente.

Uau! Post longo esse! Mas é que a leitura brincante é um assunto que eu amo e é muito importante no processo de desenvolvimento e criação de vínculo na primeira infância. Bóra ler?

 

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