Como ensinar meu filho lidar com a raiva


Lidar com a raiva das crianças, ou qualquer outro sentimento intenso, é um dos maiores desafios na criação dos filhos. Pelo menos para mim. Porque as crianças não nascem prontas para lidar com as emoções. Elas aprendem a fazer isso com ajuda dos adultos, principalmente da família. Mas quem é que ensina para gente, que é pai, mãe, cuidador, como agir para promover esta aprendizagem?

Pois é, nós nascemos com a capacidade biológica de gerar uma criança. Mas a habilidade parental de saber educar essa criança para o mundo não vem  de nascença. Contar com o instinto é importante, mas não é suficiente. Reproduzir os modelos de como fomos educados, também não. Existe muita evidência científica sobre o desenvolvimento das habilidades socioemocionais que foram produzidas nos últimos 30 ou 40 anos. Não deu tempo dos nossos pais conhecerem e aplicarem com a gente.

O que nos resta? Buscar informação sobre como sermos melhores pais e mães, dentro da nossa realidade. Foi a partir dos meus estudos que entendi o quanto a brincadeira é uma ferramenta poderosa para tudo, inclusive para ajudar a criança a lidar com a raiva. Isso mesmo, as brincadeiras são atividades calmantes!

Um pouco sobre inteligência emocional

Inteligência emocional é capacidade de uma pessoa de gerenciar seus sentimentos, de modo que eles sejam expressos de maneira apropriada e eficaz. Essa definição é do Daniel Goleman, autor do livro Inteligência Emocional. A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. O livro é ma-ra-vi-lho-so! Não por acaso é um best-seller traduzido para mais de 40 idiomas.

O livro em um trecho em que ele explica a anatomia da raiva, usando como base o trabalho do psicólogo Dolf Zillmann da Universidade do Alabama. Ele descobriu que:

O disparador universal da raiva é a sensação de estar em perigo. Por perigo pode ser sinalizado não apenas por por uma ameaça física direta, mas também, como é mais frequente, por uma ameaça simbólica à auto-estima ou à dignidade: tratamento injusto ou grosseiro, insulto ou humilhação, frustração na busca de um objetivo importante.

Presta atenção neste trecho: raiva é uma reação a uma sensação de estar em perigo. Só de ler esta frase eu já encaro a raiva das minhas filhas de um jeito diferente. Elas não ficam com raiva do nada, ou por querer fazer algo contra mim.

Voltando ao livro, além de trazer essa explicação, ele fala que existem dois caminhos para encontrar um bálsamo para a raiva. “Um é avaliar e contestar as ideias que disparam o surto”. E o segundo é “esfriar psicologicamente, esperando que passe o surto adrenal num ambiente não propício à alimentação da ira”. Ou seja, trata-se de encontrar uma maneira de tirar o foco do surto. E aí vem a melhor parte

Zillman constata que a distração é um poderosíssimo artifício moderador do estado de espírito, por um simples motivo: é difícil continuar zangado quando estamos nos divertindo. O segredo, claro é, em primeiro lugar, esfriar a raiva a ponto de a pessoa poder divertir-se.

Eu amei esse trecho do livro. Porque ele legitima a ideia de usar a brincadeira como ferramenta de distração! Posso falar? Eu uso esse recurso na minha casa e funciona muitoooo!

A brincadeira como forma de tirar a criança da raiva

Esse uso da brincadeira como “distrator” tem dois níveis. Quando a criança é pequena, cabe ao adulto se o agente que promove essa distração. Falamos disso no vídeo abaixo:

Mas a partir dos 6 anos, quando está acabando a primeira infância, dá para usarmos a brincadeira como estratégia para a criança se acalmar sozinha.

Quando a Gabi era pequena, na hora da raiva procurava o meu colo para se acalmar.  Agora, ela já entende quando está sentindo raiva e me pede ajuda para  lidar com isso.

Eu expliquei para ela que, na hora da raiva, a gente não toma boas decisões e que, por isso, era muito importante procurar se acalmar e não alimentar a raiva. A partir do momento em que ela entendeu esse conceito, ficou mais fácil mostrar formas de lidar com a raiva.

Hoje, uma das ferramentas que ela mais usa é desenhar. Ficou com raiva? Vai lá, pega um papel e rabisca, rabisca, rabisca. Depois ela amassa o papel.

 

Ela rasga o desenho.

E vai colocando para fora o que estava sentindo. Claramente ela vai esfriando a raiva enquanto faz isso. E se sente melhor no final, quando está mais calma e conseguimos conversar sobre o ocorrido.

Atividades calmantes para a criança usar sozinha

Além de desenhar, tem outras brincadeiras que podem ser usadas como “calmantes” na hora de lidar com a raiva. Nós organizamos estas brincadeiras num material gratuito que você pode baixar e imprimir.

A ideia é que você recorte as atividades e coloque as fichas recortadas ao alcance das crianças para que elas possam sortear e usar sozinhas, sempre que necessário. Deste jeito a criança tem autonomia para recorrer a essa estratégia por conta própria, sempre que precisar!

Se quiser saber como fazer uma garrafa calmante, clique aqui. 

Recomendo também a leitura do post 7 modos simples de estimular a inteligência emocional do seu filho E não deixe de baixar a ficha com as atividades calmantes. É grátis! E, vou te falar, funciona até para que gente que é adulto e precisa de recursos para se acalmar 🙂

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