Como inventar histórias ajuda na alfabetização do seu filho?


Seu filho é capaz de inventar histórias? Provavelmente sua resposta será sim. Afinal, toda criança tem imaginação. Mas você sabe qual é a relação entre inventar histórias e a alfabetização? Eu aprendi e vou contar neste post. E ainda darei dicas de como desenvolver essa habilidade brincando com crianças de diferentes idades.

As quatro habilidades para leitura

Para aprender a ler, toda criança precisa desenvolver quatro habilidades básicas. São elementos que representa a conquista do domínio da língua, sem a qual nada acontece. Experimente ler algo numa língua estrangeira desconhecida para ver o que acontece!

Essas habilidades são:

  1. Ter um bom vocabulário
  2. Ser capaz de contar uma história
  3. Entender como os sons formam as palavras (consciência fonológica)
  4. Conhecer o “código da escrita”(letras formam palavras e as palavras viram histórias.

Todas essas habilidades estão descritas em detalhes no livro Einstein Teve Tempo Para Brincar, um livro fundamental aqui no Tempojunto.

Hoje eu quero focar no segundo item da lista: a narração de histórias.

Eu aprendi com a Kathy Hirsh-Pasek que “pronunciar em voz alta cada palavra página não é ler. Um robô pode fazer isso. O conhecimento do vocabulário é importante também, mas não é suficiente. A segunda habilidade linguistica crucial para a leitura é a narração de histórias. A narração de histórias é uma das pontes que levam a criança da linguagem á leitura”.

Para exemplificar, ela relata como uma criança de 2 anos conta uma história para a mãe: “Nós fomos bater na portados vizinhos, para brincar de Doce ou Travessura. Ganhei balas, um pirulito vermelho grande, e perdi meu chapéu”.

Aos 5 anos, uma criança já é capaz de contar uma história bem mais interessante!

“Sabe do quê? Sabe do quê? Nós tínhamos um mão-pelada grande no nosso pátio. Um mão-pelada grande, enorme. Ele estava na árvore e estava tentando comer a comida do passarinho. E nós queríamos enxotar ele, mas a minha mãe não queria que meu pai enxotasse ele. Mas papai enxotou ele atirando uma pedra e ele saiu correndo! Acho que ele foi chamar os amigos dele e agora todos eles vão voltar para comer a comida do passarinho”.

As duas histórias saíra do livro The Stories Children Tellm de Susan Engel, que já está na minha lista de desejos.

O que aconteceu entre uma história e outra é que a crianças ficam mais velhas e incorporam novos elementos à narrativa. Aos 2 anos, ela consegue falar algo com início meio e fim, mas faltam detalhes. Além disso, nessa idade a criança costuma falar de si própria. As crianças mais velhas conseguem falar sobre outras pessoas e até inventar personagens.

Pois bem, a ciência já provou que a habilidade de contar histórias está diretamente relacionada a habilidade de aprender a ler.

Ou seja, crianças que inventam histórias se tornam melhores leitores!

Mas será que o seu filho é bom contador de histórias?

Um bom jeito de fazer isso é brincando com a criança. Brincando do quê? De inventar histórias!

A partir dos 3 anos, você pode começar uma história e pedir para que ele continue. Fica mais fácil se for uma narrativa pessoal. Por exemplo:
– “A coisa mais engraçada que aconteceu comigo hoje foi…”

-“A coisa mais engraçada que aconteceu na escola foi…”

Deixe que a criança continue sozinha. Observe se:

  1.  Ela descreve o cenário?
  2. Os personagens?
  3. Ela cria um problema e apresenta uma solução?

Se você acha que não tem criatividade para começar a história, pode se inspirar na nossa Lista de Perguntas para Começar Uma Conversa. É um material gratuito para você ter sempre por perto, salvo no celular ou impresso.

Para ficar mais legal, você fazer um registro desta história. Pode gravar um áudio com o celular ou, para incrementar a brincadeira, digitar a história como se fosse um livro. Faça isso a cada 6 meses.

Eu comecei com essa prática quando A Gabi tinha 4 anos e meio. Disse que íamos criar um livro com uma historinha criada por ela. Detalhe que temos o hábito de ler um livro todos os dias, antes de dormir, desde que ela era bebê. Com isso a ideia de escrever um livro foi bastante tentadora.

Coloquei ela no meu colo e falei: “pode falar que eu digito”.

A história que nasceu foi essa aqui:

O tempo passou e o hábito de inventar e registrar as histórias continuou. No ano passado ela foi alfabetizada, em plena pandemia de Covid-19. Foi um marco e tanto. Não só ela conseguir ter autonomia para ler, como aprendeu novos estilos de texto. Com isso, as histórias evoluíram em todos os sentidos.

Primeiro vou mostrar o exemplo do conto que ela escreveu com 7 anos e 5 meses. Sendo que, neste caso, ela digitou tudo sozinha (outra conquista)!

O conto ganhou capa e tudo!

Depois do Conto foi a vez da Fábula, outro estilo aprendido na escola que ganhou uma versão aqui em casa. Desta vez ela ilustrou no próprio iPad.

Não é maravilhoso ver esses registros? Dá para perceber direitinho que inventar histórias ajuda na alfabetização. Menos de um ano depois de ter aprendido a ler a Gabi já fazia o seu primeiro conto! Nada de genial, apenas uma questão de estimulação adequada, cujo resultado me deixa extremamente feliz!

Aproveite que você se empolgou com este conteúdo e faça duas coisas. Primeiro leia o post 25 brincadeiras para aprender palavras novas. Depois baixe a nossa lista de perguntas para iniciar uma conversa. Vai ser muito útil!

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