Como lidar com o medo: lições para as crianças


O que fazer quando seu filho vira para você e fala: “Mãe, estou com medo?”. Eu me vi diante desta pergunta, mais de uma vez, e me dei conta de que as minhas filhas precisam de mim para saber como lidar com o medo. Fui estudar sobre o assunto e descobri algumas lições que vou compartilhar com você neste texto.

Lições para lidar com o medo

O primeiro aprendizado muito importante foi saber que ninguém nasce preparado para lidar com as emoções. As crianças aprendem a regular as emoções da mesma forma que aprendem a ler e a escrever: precisam ter maturidade e precisam de estímulos.

Quando a gente vê uma pessoa analfabeta, não falamos que ela não pode ler ou escrever. Ela só não aprendeu ainda. O mesmo acontece com as emoções.

O segundo aprendizado foi entender que os pais desempenham um papel fundamental para as crianças. A família é o primeiro lugar onde as crianças aprendem a ser inteligentes emocionalmente. Só que para ensinar nossos filhos sobre emoções, precisamos entender primeiro como esse tal de emoção funciona.

Os teóricos dizem que existem 5 domínios da inteligência emocional (IE):

1. Conhecer as próprias emoções – autoconsciência
2. Lidar com as emoções
3. Motivar-se
4. Reconhecer as emoções nos outros
5. Lidar com os relacionamentos

Para uma pessoa ter um IE alto, ela precisa lidar com esses 5 domínios. Sendo que a base de tudo é conhecer as emoções.

Conhecendo o medo

Ter medo é normal. Vários fatores podem interferir para que alguém sinta mais ou menos medo de alguma coisa. E fatores externos contribuem para isso. Por exemplo, um estudo feito na China com 320 crianças após os primeiros meses de quarenta mostrou que a pandemia deixou 29% das crianças preocupadas e 14% com pesadelo.

Cada emoção desempenha uma função específica e geram diferentes tipos de resposta no corpo. No seu livro “Inteligência Emocional”, Daniel Goleman faz a seguinte descrição da resposta fisiológica ao medo:

No medo, o sangue corre para os músculos do esqueleto, como os das pernas, facilitando a fuga; o rosto fica lívido, já que o sangue lhe é subtraído )daí dizer-se que alguém ficou gélido). Aos mesmo tempo, o corpo imobiliza-se, ainda que por um breve momento, talvez para permitir que a pessoa considere.a possibilidade de, em vez de agir, fugir e se esconder. Circuitos existentes nos centros emocionais do cérebro disparam a torrente de hormônios que põe o corpo em alerta geral, tornando-o inquieto e pronto para agir. A atenção se fixa na ameaça imediata, para melhor calcular a resposta dada.

Ou seja, o medo faz o favor de assumir o comando do cérebro e deixa o nosso raciocínio totalmente desorganizado. Não conseguimos pensar direito. Parece que tudo é emoção. É por isso que falamos coisas como “ela paralisou de medo”. Acontece o mesmo com emoções como a raiva.

Se somarmos ansiedade ao medo, a situação fica pior ainda. É como se a gente cavasse um poço mais fundo e fosse ainda mais difícil sair dele (controlar a emoção). Precisamos de estratégias para recuperar o raciocínio. É aí que a brincadeira entra. Ela vai distrair o medo.

Como usar a brincadeira para lidar o medo.

Vou dar um exemplo aqui de casa. A Gabi, aos 7 anos, já consegue identificar bem as diferentes emoções e fala abertamente sobre elas. O que é muito bom, por que para resolver um problema, precisamos conhecê-lo.

Uma das coisas que me ajudou a provocar as conversas sobre as emoções foi a leitura de livros. Como o “Fantasmas existem?” da Ruth Rocha.

Quando o assunto é o medo, ela sabe que os medos podem ser muito ruins se saírem do controle. Por isso, ela entende que precisa encontrar formas de lidar com o medo e está com vontade de aprender.

Umas das principais estratégias que aprendi para ensinar para ela foi a de desenhar os medos. Assim eles deixam de ser sentimentos abstratos e passam a ter “uma cara”. Na foto você vai ver o desenho que ela fez. Tem cobra, fogo, aranha…

O simples fato de colocar os medos no papel já fazem ele diminuir de tamanho.

Mas e se, além de desenhar, a gente pudesse brincar com os medos? Literalmente! Aqui transformamos uma caixa em uma piscina e os medos foram brincar de nadar!

Sendo que os medos até receberam convite para brincar no Dia do Festival da Piscina.

Depois desse momento, toda vez que a Gabi fala “estou com medo!”, agora eu consigo ajudá-la perguntando qual é o medo que ela está sentindo e do que este medo gostaria de brincar. Conseguimos só conversar e isso já distrai o medo.

Outros exemplos

Você encontra outros 10 exemplos brincadeiras para ajudar seu filho a lidar e expressar as emoções no vídeo abaixo.

Acho que vale também a leitura do post sobre como ajudar a criança a lidar com pesadelos!

Antes de terminar, gostaria de comentar que temos um material para imprimir ótimo para quem quer usar mais as brincadeiras como ferramenta para inteligência emocional. São as atividades que acalmam. Baixa o seu arquivo e use para ver como funciona!

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